O mapa do desemprego

27/05/2016 17:41
• Em 76% das cidades com mais de 500 mil habitantes, criação de vagas virou demissão em massa em 2015
Fábio Vasconcellos - O Globo
Quem acompanha o mercado de emprego formal no Brasil já via que algo não andava tão bem. Desde 2011, a geração de vagas vinha perdendo força, até mergulhar em um expressivo saldo negativo em 2015. Um ponto de inflexão inédito desde 1992, quando a série começou a ser acompanhada pelo Ministério do Trabalho. No ano passado, foram cortados mais de 1,5 milhão de postos de trabalho. A mudança de rumo mostra que a crise econômica atingiu com força a dinâmica do mercado de emprego.
 
Com base nos dados do Caged, o Núcleo de Dados do GLOBO comparou o saldo do mercado de emprego formal nos 5 mil municípios entre 2014 e 2015 e classificou aqueles que mantiveram crescimento, queda ou inverteram o quadro, passando de um saldo positivo para negativo. O resultado indica que 54% dos municípios, principalmente as maiores cidades, passaram a apresentar saldo negativo ou mantiveram a queda. A redução no total de postos de trabalho se espraiou, atingindo todas as regiões. O Sudeste, que concentra boa parte do emprego formal, cortou mais de 900 mil vagas em 2015, invertendo o saldo positivo do ano anterior, quando foram criados 241 mil postos.
 
 
Cerca de 76% das cidades com mais de 500 mil moradores apresentam inversão (de saldo positivo para negativo). Municípios com população entre 100 mil e 500 mil também sofreram: mais de 65% registram inversão em 2015. Para o economista e professor da FGV Istvan Kasznar, o saldo positivo de 2014 pode ser considerado pífio para o tamanho da economia brasileira, que precisa gerar, todos os anos, cerca de dois milhões de vagas. Para ele, a inversão ocorrida em 2015 reflete os erros nos fundamentos macroeconômicos do governo:
 
— Quando não há previsibilidade com relação a preços e custos, o empresário não investe. O investimento, que gera novos postos de trabalho, é função dessa previsibilidade. A economia perdeu a sua dinâmica, e isso se refletiu no emprego.
 
O economista François Bremaeker, do Observatório de Informações Municipais, analisou o impacto da perda de empregos formais considerando a proporção da população nas cidades. E viu uma mudança importante entre 2014 e 2015.
 
— Em 2014, ainda com saldos positivos em todos os grupos de população, o impacto tendeu a ser maior nos municípios de menor porte demográfico e menor nos de maior porte. Em 2015, a situação se inverte drasticamente — afirmou François.
 
 
 

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