Opinião: O marketing mentiroso resolve?

08/01/2016 16:09

Por Josenildo Melo

E Existe Marketing mentiroso? De acordo com Raimar Richers hoje a palavra “Marketing” circula no Brasil com quase a mesma frequência e intensidade que expressões como democracia e goiabada. Isso não foi sempre assim. Há uns trinta anos – apenas! - praticamente ninguém conhecia a expressão. O Marketing verdadeiro é essencial e seu termo clássico não pode ser desconfigurado pela classe política!

 

É praticamente unânime entre o povo e a população o distanciamento entre a realidade e os governos fictícios implantados em nossa nação. Na propaganda feita por encomenda tudo anda às mil maravilhas enquanto a realidade da saúde, educação e principalmente segurança pública anda atormentando a vida das pessoas. É preciso abdicar dos desejos pessoais e realmente começar a pensar na coletividade. José Alberto Mujica Cordano, conhecido popularmente como Pepe Mujica, que é um agricultor e político uruguaio tendo sido Presidente da República do Uruguai entre 2010 e 2015 disse enfaticamente que quem deseja enriquecer não deve procurar o mundo político. Política é o exercício do desenvolvimento e construção coletiva da sociedade. Adentrar ao mundo político é algo sério. Chega de tanta mentira! E quem está mentindo?

 

O que aconteceu no Brasil que explicasse a integração tão rápida do Marketing no vocabulário popular? De acordo com Raimar Richers ele acredita que tenham sido primordialmente três fatores. O primeiro e principal é o verdadeiro revolucionário processo de substituição de importações que o país atravessou ao longo dos últimos três decênios e que o transformou numa nação das mais industrializadas do mundo. Ao longo deste processo, não só adotamos tecnologia inovadora, como também novos métodos e sistemas administrativos, entre eles o Marketing. O segundo fator está ligado à difusão da inovação através de escolas superiores e de cursos especiais, em cuja vanguarda encontra-se (modéstia à parte) a Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas, e que formaram muitos milhares de jovens administradores, uma boa parte dos quais agiu e ainda age como missionários nas empresas ao divulgarem e aplicarem conceitos mais modernos, como o de Marketing. A terceira razão está associada ao sistema de comunicações, tanto da mídia impressa e falada, quanto também da ação das agências de publicidade que usam – e às vezes abusam – da palavra “Marketing” para um monte de coisas que ela é ou não é. A consequência de tudo isso é que o Marketing veio para ficar e não para também decepcionar o povo!

 

É preciso a sociedade civil realmente reagir. Ninguém aguenta mais tanta mentira proferida diariamente. E quem está proliferando mentiras cotidianas? Quem é o mentiroso no sentido pleno da palavra? O Marketing mentiroso resolve? Cientificamente não existe marketing mentiroso; fazer uso de uma ferramenta científica pra desqualificar inúmeros profissionais não pode manchar a reputação de inúmeros profissionais qualificados? É lógico que eles precisam sobreviver e a culpa não é de quem produz as propagandas que não produzem e reproduzem a realidade de fatos e acontecimentos. Chega a um ponto que as pessoas falam abertamente que tudo é mentira? Uma das melhores coisas de 2003 a 2015 que aconteceu foi o grau de percepção do povo e da população. As pessoas começaram a estudar bem mais e perceber o que é verdade e o que é mentira. A sociedade civil organizada precisa dar um basta em tanta mentira via mídia!

 

Toda pessoa, todo ser humano tem o direito de fazer suas escolhas; mas é necessário que quem deseje entrar no mundo político lembre da frase do nobre Pepe Mujica: “quem deseja enriquecer materialmente não deve adentrar ao mundo político”. Política é coisa séria! Por favor não desqualifiquem publicamente os profissionais do Marketing. O Marketing somente é benéfico quando é usado pra divulgar de fato o que é essencialmente verdadeiro. Precisamos de menos Marketing e muito mais realismo prático nos setores de educação, saúde e principalmente segurança pública. A propaganda vai resolver tudo de novo?

 

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