Papa pede aos Bispos que se coloquem à escuta

03/10/2015 21:32

Vigília: "Papa pede aos Padres Sinodais que se coloquem à escuta da família"

 

Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre presidiu, na tarde deste sábado (03/10), na Praça São Pedro, no Vaticano, à Vigília de Oração pela Família, promovida pela Conferência Episcopal Italiana, em preparação prévia da XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família.

 

A Assembleia Sinodal sobre a Família será inaugurada na manhã deste domingo (04/10), na Basílica de São Pedro, no Vaticano, com uma solene concelebração Eucarística, presidida pelo Papa Francisco. Os trabalhos sinodais, que têm como tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”, se concluirão no próximo dia 25.

 

Na homilia, que pronunciou diante das milhares de famílias, na monumental Praça São Pedro, Francisco partiu das palavras do Patriarca Atenágoras: “Sem o Espírito Santo, Deus fica longe, Cristo permanece no passado, a Igreja torna-se uma simples organização; a autoridade transforma-se em domínio, a missão em propaganda, o culto em evocação, o agir dos cristãos em uma moral de escravos.

 

Por isso, o Papa pediu a oração dos presentes pelo Sínodo, para que “saiba reconduzir a uma figura de homem, na sua plenitude, a experiência conjugal e familiar; reconheça, valorize e proponha tudo o que nela há de belo, bom e santo”.

 

Que os trabalhos sinodais possam abranger as situações de vulnerabilidade, que colocam a família à prova: pobreza, guerra, doença, luto, relações feridas e desfeitas, das quais brotam contrariedades, ressentimentos e rupturas; chamem a atenção das famílias, de todas as famílias, para o Evangelho, que permanece a «Boa Nova», de onde recomeçar.

 

Do tesouro da tradição viva, o Santo Padre espera que os Padres sinodais possam encontrar palavras de consolação e diretrizes de esperança para famílias, chamadas a construir, neste tempo, o futuro da comunidade eclesial e da cidade do homem. Pois, cada família é sempre uma luz, ainda que tênue, na escuridão do mundo.

 

A história de Jesus, que viveu entre os homens, começou no seio de uma família, na qual permaneceu por 30 anos. A sua família era como muitas outras, situada em uma remota aldeia da periferia do Império.

 

Depois, o Bispo de Roma tomou o exemplo, de Charles de Foucauld que intuiu o alcance da espiritualidade que emana da Família de Nazaré. Este grande explorador, deixou a carreira militar, fascinado pelo mistério da Sagrada Família, da relação diária de Jesus com os pais e os vizinhos, do trabalho silencioso, da oração humilde; ele compreendeu que “são os simples e os pobres que nos evangelizam e nos ajudam a crescer em humanidade”.

 

Para compreender a família, hoje, advertiu o Papa, também nós devemos penetrar, como Charles de Foucauld, no mistério da Família de Nazaré, na sua vida escondida, rotineira e comum, como a maioria das nossas famílias, que têm uma vida de paciência, respeito,  humildade, fraternidade, unidade.

 

Por fim, recordou Francisco, “a família é lugar de santidade evangélica, discernimento, gratuidade; é lugar de presença discreta, fraterna e solidária, que ensina a sair de si mesmo para acolher o outro, para perdoar e ser perdoados.

 

Neste sentido, o Santo Padre expressou seu desejo de o Sínodo possa partir de Nazaré; mais do que falar de família, saiba aprender dela, reconhecendo a sua dignidade, consistência e valor, apesar das suas muitas dificuldades e contradições.

 

O Papa concluiu sua homilia fazendo votos de que este Sínodo para a Família possa descobrir a grandeza de uma Igreja que é “mãe”, capaz de gerar e zelar pela vida. É preciso, frisou, “saber unir a compaixão à justiça”, para não ser inutilmente severo e profundamente injusto. Enfim, a Igreja é “casa aberta”, sem grandezas exteriores; é acolhedora e suscita esperança e paz; ela foi a primeira a ser regenerada pelo Coração misericordioso do Pai.