Para o Planalto, relação com partido aliado ficará mais tensa

16/12/2015 12:04

Dois ministros peemedebistas foram alvos de mandados de busca

 

- O Globo

 

-BRASÍLIA- No Palácio do Planalto, desde cedo, a avaliação ontem era que a Operação Catilinárias deverá aumentar a instabilidade política e, portanto, terá impacto negativo, no momento em que o governo tenta diminuir o nível de tensão política. Além de Cunha, também foram alvos de mandados de busca e apreensão dois ministros da presidente Dilma Rousseff : Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Henrique Eduardo Alves (Turismo), justamente dois dos ministros peemedebistas ligados à bancada da Câmara.

 

Uma pessoa próxima a Dilma explicou que a operação era ruim para o governo, porque “atinge no coração” o partido que é o principal aliado e com o qual a presidente trava uma disputa.

 

Essa operação atinge o PMDB no coração, aumentando a instabilidade do governo. Eleva o grau de tensão — disse a fonte.

 

Em nota, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República disse que “o governo espera que todos os fatos investigados na nova fase da Operação Lava-Jato, envolvendo ministros de Estado e outras autoridades sejam esclarecidos o mais breve possível, e que a verdade se estabeleça”. O desdobramento da operação foi analisado em almoço entre o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, e os ministros da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini e da Justiça, Eduardo Cardozo.

 

Apesar da avaliação de que a nova fase da Lava-Jato “não é boa para ninguém”, assessores da presidente mostravam-se aliviados com o fato de as investigações tirarem o PT do foco da corrupção e jogarem luzes sobre o PMDB, que é a alternativa de poder a Dilma, em caso de impeachment.


Por que tirar a Dilma e entregar para o grupo do Cunha? — indagou um integrante do Planalto, referindo-se ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

 

O governo tenta evitar, no entanto, que esse episódio contamine a já conflituosa relação com o PMDB. O mantra no Palácio do Planalto ontem era que Dilma continua trabalhando para manter os ministros peemedebistas no governo e continua querendo o retorno do deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) à liderança do partido.

 

Sobre a acusação de Cunha, de que o governo e o Ministério Público estariam atuando juntos contra ele de forma revanchista, auxiliares de Dilma afirmaram que Cunha, ao contrário do ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral (PT-MS), não foi preso. E, em segundo lugar, se a ofensiva fosse contra Cunha, os ministros Pansera e Alves não teriam sido alvo da mesma operação.

 

Foi o mesmo Teori que decidiu sobre Delcídio e sobre Cunha — disse um auxiliar.

 

Mobilização da Câmara

Com a operação, participantes da reunião de líderes da Câmara com o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, entenderam que a situação é grave e decidiram procurar a oposição para tentar dar ares de normalidade ao Legislativo. Os deputados Jovair Arantes (PTB-GO) e Affonso Mota (PDT-RS) ficaram responsáveis por procurar oposicionistas para mobilizar a Câmara a votar as matérias ainda pendentes, antes de o ano legislativo se encerrar.

 

Com essa operação de hoje na casa do Cunha nos aproximamos de uma crise institucional. É a Polícia Federal em uma das casas do Legislativo. Temos que buscar um denominador comum para buscar um mínimo de normalidade institucional — disse um participante da reunião.

 

No encontro no Palácio do Planalto, Berzoni pediu que os aliados se empenhem para que haja quorum nas sessões do Congresso.

 

Temos que votar algumas coisas. Não é possível a gente entrar em recesso e largar essa confusão para trás. A oposição também tem interesse nisso. Vamos fazer uma força-tarefa para votar — disse Jovair Arantes.

 

 

 


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