Para Planalto, protagonismo colocou Jaques Wagner na mira de denúncias

15/01/2016 10:08

Por Raymundo Costa e Andrea Jubé – Valor Econômico


BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff não pediu explicação, não restringiu suas reuniões com o ministro Jaques Wagner e não cogita afastar o chefe da Casa Civil do governo por conta de denúncias surgidas no âmbito da Operação Lava-Jato. Para o Palácio do Planalto, as acusações são antigas e somente foram vazadas agora porque o ministro assumiu um papel de protagonista no governo e visam atingir a presidente da República e o PT.

 

Segundo o presidente do PT, Rui Falcão, "não há nenhuma comprovação [das denúncias]. Esses ataques fazem parte de uma campanha maior para criar dificuldades para a ação do governo, criminalizar o PT e desgastar a popularidade do ex-presidente Lula, para que ele não venha a ser candidato em 2018", disse Rui Falcão ao Valor. Auxiliares da presidente falaram a mesma coisa, mas preferiram não dar declarações.

 

Wagner é peça-chave na reorganização política do governo. Ele está na Casa Civil da Presidência há pouco mais de três meses, mas neste período o governo conseguiu retomar a iniciativa onde antes andava a reboque. Um exemplo é o aprofundamento da a divisão no PMDB, que afastou a ameaça imediata do impeachment. A demissão de Wagner, no momento, poderia desmontar a arrumação da cozinha do Palácio do Planalto.

 

Desde a reforma, cabe a Wagner criar as condições para que o PT chegue em melhores condições que a atuais na sucessão presidencial de 2018, seja o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o candidato ou outro nome do PT, inclusive o próprio Wagner. O ministro Ricardo Berzoini (Secretaria-Geral) é a voz do PT para dentro do governo. Ele e Falcão costumar fazer tabelas nas reuniões do chamado núcleo duro.

 

Wagner apareceu em mensagens de texto trocadas por executivos da OAS e na delação premiada de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras. O chefe da Casa Civil, no entanto, não está sob investigação. "Novamente alvo de vazamentos ilegais e ilações infundadas, nego a informação de que minha atuação seja alvo de investigação ou inquérito. Tenho absoluta serenidade quanto às minhas ações e permaneço à inteira disposição do MPF e da Justiça", escreveu Wagner em suas redes sociais.

 

O ministro Edinho Silva (Secretaria de Comunicação), ex-tesoureiro da campanha de Dilma, é investigado desde setembro e nem por isso perdeu o cargo. Edinho teria ameaçado o presidente da UTC Engenharia com a perda de contratos da Petrobras para receber R$ 7,5 milhões da empreiteira para campanhas do PT, de acordo com a delação do dono da empresa, Ricardo Pessoa. Edinho rechaça a acusação.

 

O atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante, quando ocupava a Casa Civil também foi relacionado por Pessoa, e desmentiu a denúncia de que teria recebido R$ 500 mil do dono da UTC para sua campanha ao governo de São Paulo. Hoje ele responde a inquérito no STF que não faz parte da Lava-Jato.

 

O governo virtualmente se impermeabilizou do que considera "vazamentos seletivos" da Lava-Jato que atingiram não só ministros, como o principal líder do PT, Lula da Silva. O partido também se queixa de um "tratamento seletivo". Prova disso seria que o presidente do PT, Rui Falcão, foi chamado pela Polícia Federal para ser ouvido como testemunha sobre o envolvimento de petistas na Lava-Jato, mas o mesmo não ocorreu com nenhum outro presidente de partido aliado. Apesar das denúncias contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por exemplo, o vice-presidente Michel Temer, que preside o PMDB, não foi distinguido com uma intimação.

 

Nas palavras de um auxiliar do núcleo próximo a Dilma, a presidente acha que as denúncias até agora veiculadas pela imprensa são "inconsistentes". No caso das primeiras denúncias, relativas a vazamentos da delação de Cerveró, o governo avalia que são "ilações", porque não haveria provas para respaldá-las.

 

Wagner é o ministro onipresente e onisciente do Planalto e reinou absoluto no começo deste ano, com as férias do ministro Ricardo Berzoini, da Secretaria-Geral de Governo, que retornou ontem ao trabalho. É chamado para reuniões no gabinete presidencial mais de uma vez ao dia e costuma almoçar e jantar a sós com a presidente Dilma. Wagner e Berzoini compõem, junto com José Eduardo Cardozo (Justiça), o restrito grupo de ministros do PT que ainda frequentam os jantares com Dilma no Alvorada. No primeiro encontro deste ano, no dia 5 de janeiro, estavam Wagner, Lula e Rui Falcão. Berzoini estava de férias.

 

A presidente designou a Wagner as missões mais delicadas. Neste reinício de ano, coube ao ministro fazer os primeiros acenos para tentar reaproximar a presidente e o vice Michel Temer. No ano passado, era Wagner o interlocutor do presidente da Câmara, Eduardo Cunha), no intuito de dissuadi-lo de acolher o pedido de impeachment.

 

 

 


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