Para salvar Cunha, é preciso se fingir de bobo

16/10/2015 21:18

Para salvar Cunha, é preciso se fingir de bobo

Por Josias de Souza


Ao encarecer aos aliados que deixem Eduardo Cunha e o mandato dele em paz, Lula está, no fundo, pedindo aos deputados que façam como ele: finjam-se de bobos pelo bem da Dilma. Com tudo o que já veio à tona sobre as contas secretas que o presidente da Câmara jura não possuir na Suíça, todos sabem que ele mentiu. Mas não convém arriscar a estabilidade do governo Dilma por algo tão relativo e supérfluo como a verdade. Melhor combinar que nada aconteceu.

Pelo resto de suas vidas, os partidários do ‘fica, Cunha’ lembrarão da experiência inusitada que viveram em 2015: havia as contas na Suíça que ninguém podia enxergar. Bastava ligar a tevê para esbarrar nas imagens dos documentos enviados pela Promotoria da Suíça: o passaporte usado por Cunha para abrir as contas, os dados da mulher e da filha do Cunha, a assinatura de Cunha, o endereço do Cunha no Rio, os telefones do Cunha… Mas convencionou-se que nada estava ali.

A decisão de sustentar a tese segundo a qual o Cunha ainda merecia o benefício da dúvida converteu a Câmara numa Casa de bobos convenientes. Considerando-se que o Cunha abriu as contas na Suíça para esconder o dinheiro que desviou da Petrobras, a tentativa de lhe salvar o mandato envolvia também uma conclamação nacional ao sacrifício patriótico da inteligência.

Vamos lá, gente. Sejamos os bobos convenientes. É pela Dilma, companheiro! Não é tão difícil. Se prevalecer o impeachment, assume o Michel Temer, do PMDB do Cunha. E do Renan. E do Jader. A Dilma, você sabe, é como o Lula. Não sabia, não sabe e jamais saberá de nada. A esse ponto chegou o Brasil. Mais uma pantomima, menos uma pantomima…