Para Temer, Lava-Jato não paralisa atividade política

29/01/2016 08:17

Por Carolina Leal e Dauro Veras - Valor Econômico

 

CURITIBA E FLORIANÓPOLIS - O vice-presidente Michel Temer afirmou ontem, em visita ao Paraná e a Santa Catarina, que o PMDB quer chegar à Presidência em 2018, " com candidatura própria". A incursão a Curitiba e Florianópolis abriu uma série de viagens pelo país, chamada de "Caravana da Unidade", formalmente para fomentar candidaturas próprias da sigla no maior número de capitais este ano, mas tendo como propósito garantir a reeleição como presidente da sigla no congresso partidário de março.

 

"Nós queremos assumir o poder em 2018", disse Temer. "Mas todos sabemos que para chegar a 2018 temos que passar por 2016 [ano de eleições municipais]."

 

Temer passou a manhã em Curitiba, acompanhado dos ex-ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, e reuniu-se com lideranças do diretório estadual do partido. O vice afirmou que as investigações da Operação Lava-Jato, que afetam diretamente lideranças da sigla como os presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL) e da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), são um sinal de que as "instituições do país estão funcionando". "Se não estivessem, não haveria essas apurações", afirmou. Entretanto, disse que a Lava-Jato não pode "tomar conta do país".

 

"A Lava-Jato toma conta, sim, do Judiciário, das funções da Polícia Federal e do Ministério Público. Mas isso não deve embaraçar nem a administração do país e muito menos a atividade política". Sobre as acusações contra diversos políticos e integrantes do governo federal, ele disse que, caso comprovadas, configurariam um "escândalo". "É claro que eu vejo com olhos de quem vê escândalo. Mas temos que esperar a apuração de todos esses eventos."

 

O vice fez um alerta a outras forças partidárias sobre o poder que a sigla detém atualmente. "Muitas vezes se diz que o PMDB não tem poder político porque não tem a Presidência da República. Temos o maior número de vereadores, de prefeitos, de deputados, temos a liderança da Câmara e do Senado, e temos a vice-presidência da República. Nós temos poder político, sim", disse, ressaltando que partido vai focar agora em candidaturas nas capitais e cidades com mais de 200 mil habitantes. "Quando se fala que o PMDB é o fiador da governabilidade, é porque sempre foi assim".

 

Em encontro com representantes da sociedade civil em Curitiba, Temer admitiu que o governo da presidente Dilma Rousseff, que promoveu ontem uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômica para pedir apoio a reformas constitucionais e anunciar novas linhas de crédito, provoca insatisfações no setor privado.

 

"Compreendo as decepções dos vários setores da iniciativa privada porque as pessoas não sentem confiança. Mas se nós temos crise política e crise econômica, é importante saber que elas são superáveis", afirmou. "O que não é superável é uma crise institucional, quando as instituições começam a balançar. Mas as instituições estão funcionando."

 

Durante o encontro, que incluiu representantes da OAB, da Fiep (Federação das Indústrias do Paraná), da comunidade árabe-palestina no Estado e da classe médica, Temer foi questionado sobre o programa Mais Médicos, sobre reformas para agilizar o Judiciário, sobre estímulos ao setor produtivo, sobre o alegado crescimento da intolerância religiosa no país e aumentos de tributos.

 

Temer disse que é "radicalmente contra" a elevação da carga tributária, mas que "há momentos em que é impossível" evitar seu crescimento "É preciso diálogo com a sociedade; é preciso verificar quais despesas podem ser eliminadas antes da criação de um tributo."

 

O vice citou ainda a possibilidade de se levar adiante um plano de carreira estatal para médicos e defendeu a reforma previdenciária, um dos temas tratados também pela presidente na reunião em Brasília. "Se não fizermos uma reforma do sistema previdenciário, daqui a pouco os próprios pensionistas vão ficar sem receber."

 

Após o encontro, Temer seguiu com os ex-ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha para Santa Catarina. Em três rápidos compromissos, fez contatos com lideranças do PMDB catarinense e recebeu de empresários do Estado uma lista de reivindicações para que o país retome o crescimento.

 

Na Assembleia Legislativa, visitou o gabinete do deputado estadual Gean Loureiro, candidato a prefeito de Florianópolis pelo PMDB nas últimas eleições.

 

Em breve entrevista Temer minimizou as diferenças internas: "São elas que fazem a grandeza do partido". Em seguida, participou de um encontro na Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), onde apresentou "Uma ponte para o futuro", o programa que o PMDB está preparando com propostas de união nacional para superar a crise. O vice-presidente encerrou a agenda encontrando-se em um hotel da cidade com líderes pemedebistas. Hoje o vice deve ir a João Pessoa, Natal e Recife.