Parecer de Janot, que sacudiu a cena política, mira cúpula do PMDB

08/06/2016 12:47
• O procurador-geral da República pede a prisão da cúpula peemedebista, como Renan, Sarney, Jucá e Eduardo Cunha, por obstrução da investigação contra eles
João Valadares – Correio Braziiense
 
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mirou a cúpula do PMDB. Ele pediu ao ministro Teori Zavascki, relator dos procedimentos relativos à Operação Lava-Jato na Corte, a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros; do senador Romero Jucá; do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha; e do ex-presidente da República José Sarney. Nos pedidos, encaminhados há mais de uma semana com base, sobretudo, em gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o procurador-geral utiliza como justificativa a tentativa de obstrução dos trabalhos da Justiça e, no caso de Cunha, do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.
 
Em relação a José Sarney, 86 anos, Janot pediu prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, em razão da idade do político. Afastado do mandato parlamentar pelo STF após pedido da Procuradoria-Geral da República justamente para tentar sanar as manobras do peemedebista, Cunha continuou interferindo no andamento do Conselho de Ética para evitar sua cassação. No entendimento de Janot, o afastamento do deputado não se mostrou eficaz.
 
 
Nos bastidores do Supremo, circula a informação de que o ministro Teori não vai tomar uma decisão monocrática em relação aos pedidos. O mais provável é de que ele remeta o caso para apreciação pelo plenário. Não há prazo para a decisão. Teori foi bastante criticado por “segurar” o afastamento de Cunha. Ele só decidiu afastá-lo cinco meses após o pedido feito por Janot.
 
Além das gravações, as informações prestadas por Machado em depoimento de delação premiada foram tomadas como base para os pedidos. Aos procuradores da República, o ex-presidente da Transpetro afirmou ter repassado R$ 70 milhões para a cúpula do PMDB. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo. Desse total, R$ 30 milhões teriam ficado com Renan; R$ 20 milhões, para Romero Jucá; e os outros R$ 20 milhões, para José Sarney. De acordo com o delator, o repasse milionário teria sido feito em troca de apoio político para que Sérgio Machado permanecesse à frente da Transpetro. Machado chegou ao topo da estatal em 2003, no início do governo Lula, após ser indicado por Renan Calheiros.
 
Sobre o político alagoano, a Procuradoria-Geral da República entendeu que ele planejava criar um mecanismo para “melar” o instituto da delação premiada. Sem saber que estava sendo gravado por Sérgio Machado, o presidente do Senado defende uma modificação na legislação. Ele demonstrou interesse em elaborar uma legislação para impedir que alguém que esteja preso possa assinar um termo de delação premiada.
 
 

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