Petismo-lulismo-dilmismo afundou a Nação Brasil

19/11/2017 10:38
Gaudêncio Torquato: Um deserto de ideias
- Blog do Noblat
 
O que Bolsonaro pensa do Brasil? Que ideia tem trazido ao debate nacional?
 
E Lula, conhecido pela expressão farta, sempre pronto para atacar adversários e defender o “petismo salvador da Pátria”, que propostas tem apresentado para melhorar a economia ou os serviços básicos de responsabilidade do Estado?
 
O que pensam Ciro Gomes, Marina Silva, Geraldo Alckmin ou, ainda, o animador de auditório Luciano Huck?
 
Quem souber de uma boa sacada, um projeto interessante, uma proposta crível e factível que tenha sido expressa por um desses pré-candidatos à presidência da República, está convidado a trazê-la ao conhecimento público.
 
O fato é que, até esse momento, sobram blábláblás e falta algo inovador, capaz de chamar a atenção e gerar interesse pela originalidade.
 
Se as campanhas não conseguem empolgar plateias, seja por ausência de novidade, seja pela sensação de que as propostas mais parecem uma teia de retalhos e fragmentos, dispostos um ao lado do outro sobre o pano de fundo de nossa realidade, imaginem as besteiras que surgem nesse momento.
 
De Lula em suas caravanas, brotam roças de demagogia, sob um tiroteio ao atual governo, para ele o responsável pelo descalabro que afundou o país nos últimos anos. Como é sabido, a defesa do Lula é o ataque.
 
O petismo-lulismo, inspiração do dilmismo, afundou a Nação.
 
Os bolsões que receberam da era petista melhorias para mudar de patamar na pirâmide social acabaram voltando ao estágio inicial.
 
De Bolsonaro, não se espera grandes coisas. Ele mesmo reconhece que ignora fundamentos de economia. Claro, é capaz de identificar o mapa do Brasil, mas não se cobre dele conhecimento profundo sobre o Nordeste, o Norte, o Centro-Oeste e o Sul.
 
Nesse instante em que eventuais candidatos à presidência da República começam a povoar espaços midiáticos com suas ideias (???), seria oportuno virem à público para oferecer pautas densas que chamem a atenção pela relevância e oportunidade. Nada disso se vê.
 
Áreas vitais como saúde, segurança, educação ou polêmicas sobre as reformas (política, previdenciária, tributária) ganham adendos superficiais e bordões escondidos na frou¬xa promessa “vamos continuar isso e aquilo, fazer mais e melhor”. Nunca foi tão importante para o Brasil debater seu futuro.
 
O atual governo se empenha em desamarrar as reformas necessárias à alavancagem do país. Por que os pré-candidatos não se voltam ao debate substantivo em torno dessas reformas, trazendo subsídios que possam colaborar com o debate, em vez de apenas se posicionar contra ou a favor?
 
Partidos de oposição, sem enxergar o mérito, tratam a reforma trabalhista, por exemplo, como um atraso, quando ela coloca o trabalho na linha dos avanços.
 
Velho roteiro
 
O fato é que, nos últimos tempos, o clima eleitoral puxou novos adereços, decorrentes da tecnologia da informação e sob a fosforescência do Estado-espetáculo, onde os atores procuram esmerar-se na estética e esquecendo a semântica.
 
Seu esforço consiste em aparecer bem aos olhos dos eleitores de 2018, recitando slogans, decorado frases de efeito, declamando uma linguagem tatibitate, sem consistência. A campanha eleitoral de 2018 já começou, e o Tribunal Superior Eleitoral ainda não dá conta do fato.
 
Pré-candidatos circulam para cima e para baixo, fazem caravanas, são recebidos por multidões em aeroportos, usando artifícios de um marketing que parece saturado: militantes com vestes coloridas, passeatas, carros de som entoando refrãos, flagrantes de ruas tomadas pelas mobilizações.
 
Redes sociais
As redes sociais formam o novo instrumento que as campanhas eleitorais estão adicionando ao arsenal de marketing.
 
O acesso do eleitor aos candidatos e a seus exércitos se dá por meio do uso de canais eletrônicos da internet.
 
Da naturalidade das ruas do passado para o artificialismo dos laboratórios do marketing – essa é a mudança nas campanhas. Abertas, emotivas, participativas tornaram-se fechadas, frias, racionais. Em 1950, Getúlio Vargas fez uma das mais brilhantes campanhas da história eleitoral.
 
Em 10 de agosto, em São Paulo, pronunciava um discurso versando sobre o poderio da terra bandei¬rante, o dever da União para com o Estado, o saneamento financeiro do País, as diretrizes para uma política industrial e as bases do trabalhismo, concluindo com a exaltação do vínculo entre democracia política e democracia econômica.
 
Regiões e cidades recebiam expressão própria, com diagnósticos e solução para os problemas. O eixo do discurso era a descentralização.
 
Na peroração de São Borja, em 30 de setembro, Vargas confessava a receita do sucesso: “Da vastidão amazônica a estas fronteiras meridionais, das populações de beira-mar às do Brasil central, o povo me acolheu carinhosamente, e mais me falou dele do que eu de mim, transmitindo-me as suas queixas, as amarguras e dificuldades atuais.” Ouvir o povo, eis o mote.
 
Quem ouve o povo hoje?
Passemos aos tempos de Juscelino Kubitschek. Na campanha de 1955, fez seis viagens pelo País, percorrendo 168 municípios num DC-3, equipado com escriva¬ninha e cama, e adotando a mesma estratégia de Vargas, ou seja, combinava temas gerais com específicos.
 
Os roteiros cobriam cidades e capitais próximas, permitindo a ele conhecer e estudar as questões regionais. Grupos de mobilização puxavam o povo para as ruas. As campanhas arrebanhavam multidões. Os comícios terminavam sempre com perguntas formuladas por ouvintes, em “diálogo com o povo”.
 
As temáticas, entremeando situações nacionais e locais, tinham como foco o desenvolvimentismo, a partir das áreas de energia e transportes, com textos elaborados por figuras tarimbadas, como o poeta Augusto Frederico Schmidt, o romancista Autran Dourado e os jornalistas Álvaro Lins, Horácio de Carvalho e Danton Jobim, entre outros.
 
Hoje, essa tarefa é de marqueteiros, muitos sem preparo.
 
Hoje, a descrença e a desmotivação do eleitorado, a pasteurização ideológica, o declínio dos partidos e o distanciamento entre a esfera política e a esfera social mancham a moldura eleitoral. Se o país recuou no campo das grandes ideias, avançou nas técnicas de engodo.
 
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Gaudêncio Torquato é jornalista, professor titular da USP, consultor político e de comunicação
 
 

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