PGR pede inquérito contra Pedro Paulo por agredir ex-mulher

13/02/2016 18:55

Caso está no STF porque pré-candidato do PMDB à Prefeitura do Rio tem foro especial como deputado

 

Carolina Brígido - O Globo

 

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo abertura de inquérito para investigar a acusação de que Pedro Paulo, secretário municipal do Rio e pré-candidato a prefeito pelo PMDB, agrediu a ex-mulher em 2010. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de abertura de inquérito para investigar o secretário-executivo da prefeitura do Rio de Janeiro, Pedro Paulo (PMDB), por lesão corporal. Ele é acusado de ter agredido a ex-mulher, Alexandra Marcondes Teixeira, em 2010. O caso foi aberto na primeira instância do Judiciário, mas foi transferido para a mais alta corte do país porque Pedro Paulo é deputado federal. Embora licenciado, ele mantém o direito ao foro especial. O secretário é pré-candidato do PMDB na disputa para a prefeitura do Rio, com o apoio do atual prefeito, Eduardo Paes.

 

Segundo a ocorrência policial, Alexandra teria chegado em casa de uma viagem e encontrado indícios de traição: cabelos longos no ralo do banheiro, duas taças de vinho e um sutiã que não era dela na cozinha. O marido não estava em casa. Quando ele chegou, ela teria pedido a separação, o que teria dado início a uma discussão. Durante a briga, Pedro Paulo teria derrubado a mulher no chão e iniciado agressões físicas. Depois que o caso veio à tona, o secretário tentou minimizar o fato.

 

Quem não tem uma briga, um descontrole, quem não exagera numa discussão? A gente às vezes exagera, fala coisas que não deve. Quem não tem essas discussões e perde o controle? A gente perde o controle e tem discussões — disse em entrevista concedida à imprensa em novembro do ano passado. O caso está tramitando em sigilo no Supremo e foi sorteado para a relatoria do ministro Luiz Fux. Caberá a ele autorizar ou não a abertura do inquérito. Também está nas mãos do mesmo ministro um outro pedido de abertura de inquérito contra Pedro Paulo. O primeiro caso chegou ao STF em janeiro e trata de boca de urna. A lei eleitoral proíbe a propaganda no dia da eleição e prevê punição de seis meses a um ano de detenção, mais pagamento de multa, para quem adota a conduta.

 

Pedro Paulo tem outros episódios de agressão registrados em delegacia. Em 2008, Alexandra registrou queixa na polícia dizendo que tinha sido ameaçada pelo então marido. O secretário também é acusado de ter ameaçado e dado um tapa em um fotógrafo morador do morro Camarista Méier em agosto de 2014, em um evento de sua campanha a deputado federal. Foi registrado boletim de ocorrência na ocasião.

 

Secretário diz que está à disposição do STF

Segundo o fotógrafo André Luís Bezerra, Pedro Paulo fazia campanha na comunidade quando alguns moradores afirmaram que ele estava fazendo “propaganda enganosa” por afirmar que era o responsável por obras de pavimentação em três ruas. De acordo com os moradores, as intervenções haviam sido feitas a pedido de outro deputado. Ao perceber que Bezerra filmava tudo, Pedro Paulo se irritou e teria mandado ele apagar as imagens. O fotógrafo contou que levou um tapa no peito e que o secretário arrancou o celular da sua mão.

 

O morador disse que, depois da investida de Pedro Paulo, ele teria sido cercado por assessores e obrigado a apagar os registros. Antes de ir embora, Pedro Paulo ainda fez ameaças, segundo Bezerra. Esse caso estaria sob a análise da Procuradoria Geral da República e ainda não chegou ao STF. Procurado pelo GLOBO por intermédio de sua assessoria de imprensa, Pedro Paulo reiterou que está à disposição da Procuradoria Geral da República e do Superior Tribunal Federal “para prestar todos os esclarecimentos e colaborar com o inquérito”.

 

Empenhado em se desvencilhar do episódio de agressão à ex-mulher, Pedro Paulo tenta associar sua imagem à ideia de bom gestor desde que foi designado por Paes, em janeiro, para coordenar a municipalização dos hospitais estaduais. A estratégia, no entanto, foi considerada de alto risco por peemedebistas, já que o setor enfrenta uma crise. A viabilização da candidatura à prefeitura depende de seu desempenho até abril, mesmo que ele continue sendo defendido por Paes. Logo que assumiu a função, Pedro Paulo foi alvo de protestos por parte de funcionários da área. Em ato no Hospital Rocha faria, na Zona Oeste do Rio, o secretário-geral foi recebido com gritos de “Lei Maria da Penha”.


 


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