Picciani e Renan têm dia de vitória

18/12/2015 11:14

Contrário ao impeachment, o deputado Leonardo Picciani recuperou a liderança do PMDB na Câmara após deflagrar operação para levar aliados ao Legislativo. O presidente do Senado, Renan Calheiros, comemorou e ainda atuou para que a Casa peça ao TCU auditoria sobre supostas “pedaladas” do vice Michel Temer, com quem está em guerra. 

Deputado reconquista cargo graças às atuações do governador Pezão e do prefeito Eduardo Paes

 

Com apoio do Planalto, governista do PMDB é reconduzido ao cargo após apresentar lista com apoio de 36 dos 69 integrantes da bancada 

 

Picciani retoma liderança do PMDB na Câmara

 

Deputado agora diz que indicará peemedebistas favoráveis ao afastamento de Dilma para compor comissão

 

Leticia Fernandes Evandro Éboli – O Globo

 

-BRASÍLIA- O deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), contrário ao impeachment da presidente Dilma Rousseff e destituído da liderança do partido na semana passada, reassumiu o posto ontem depois de apresentar uma lista com 36 assinaturas a seu favor em uma bancada composta por 69 parlamentares. Os votos dos deputados Pedro Paulo e Marco Antônio Cabral, exonerados de suas funções na prefeitura do Rio para reassumirem as cadeiras na Câmara, foram definitivos para a vitória de Picciani.

 

O novo líder do PMDB na Câmara voltou a afirmar que sua posição é contrária ao impedimento de Dilma, mas que vai dialogar com a bancada do partido. O peemedebista é um dos mais próximos aliados do governo na legenda.

 

O tema causa divisões, eu pessoalmente tenho uma posição definida, mas buscaremos (consenso) pelo diálogo e pela conversa, não há imposição.

 

À noite, Picciani disse, inclusive, que indicará deputados favoráveis ao impeachment para compor a comissão especial que analisará o processo. A rebelião ocorrida semana passada, que levou o deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG) à liderança do partido, foi motivada pela indicação só de deputados favoráveis à presidente.

 

Não vou apresentar a mesma lista de nomes para essa nova comissão. Vou conversar com o grupo pró-impeachment para buscar unificar os procedimentos. Vamos fazer uma lista incluindo os que são favoráveis ao impeachment e também os indecisos. Tem que reproduzir a realidade da bancada — afirmou Picciani ao GLOBO.

 

O deputado Lúcio Vieira Lima, aliado do vice-presidente Michel Temer e um dos articuladores da destituição de Picciani, criticou a volta dele:

 

É uma liderança artificial, porque precisou trazer gente de fora para conseguir voltar ao cargo. Mas, com o recesso, o papel do líder agora vai ser nenhum.

 

A checagem das assinaturas pró-Picciani pela secretaria-geral da Mesa, que era para ser apenas formalidade, virou polêmica, já que três deputados também tinham assinado a lista que colocara Quintão na liderança. Vitor Valim (CE), Jéssica Sales (AC) e Lindomar Garçon (RO) tiveram que ir à Câmara para referendar o apoio à restituição de Picciani.

 

Resolvidos os trâmites burocráticos, o novo líder respondeu aos que criticaram sua volta à liderança:

 

Quando fui substituído, de imediato reconheci a posição da maioria. O mais adequado seria fazerem o mesmo, até porque tive assinaturas de pessoas que estavam no posicionamento anterior. Foi o outro lado que perdeu apoio.

 

Em seguida, Picciani foi ao plenário da Câmara anunciar sua volta ao posto:

 

Retomo as minhas funções na Câmara dos Deputados com o compromisso de que a bancada do PMDB não mais adotará um expediente constrangedor de troca de líder.

 

Parlamentares do PMDB críticos a Picciani já articulam para que ele deixe a liderança ainda antes do recesso. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse a aliados que o retorno de Picciani à liderança pode durar apenas até terça-feira. Com a lista de apoiadores de Picciani, Cunha fez contas e disse que irá reverter a situação.

 

Às vésperas do início do recesso parlamentar, a guerra entre as duas alas do partido pode gerar diversas listas de apoio, num “entra e sai” de líderes. O recesso não impede que se troque o líder de um partido, informou a Secretaria-Geral da Mesa Diretora. Sílvio Avelino, o secretário-geral, explicou ao GLOBO que, na prática, pode se eleger “um líder a cada meia hora”. Antes da confusão, Picciani defendeu a união no partido e disse que não há sentimento interno de “revanchismo” ou “disputa”:

 

Hoje a gente deu um passo importante para afundar esse processo que é o uso de listas. O momento agora é de união, de se buscar unidade no partido.

 

Pedido de armistício

O líder disse que a divisão na bancada é fruto da tensão que o país vive hoje. Ele defendeu, no entanto, que todos “recolham suas armas” para o bem do país. Picciani afirmou que continuará dialogando com a presidente Dilma:

 

É fruto do momento tenso que o país vive, mas precisamos que todos recolham suas armas e trabalhem pelo país. Continuarei dialogando com a presidente Dilma, a maioria da bancada preza por esse diálogo.

 

Picciani minimizou a polêmica com Temer, a quem criticou quando foi retirado da liderança. Ontem, em tom brando, disse que foi envolvido em “falsa polêmica” e fez elogios ao vice:

 

Fui envolvido numa falsa polêmica, tenho grande apreço por ele, é a maior liderança do nosso partido, e buscarei o diálogo com ele e com toda a bancada.


 


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