PMDB tenta unificar discurso de olho em 2018

18/11/2015 00:05

PMDB tenta unificar discurso de olho em 2018 e adia debate sobre saída do governo

Por Lisandra Paraguassu

Vice-presidente Michel Temer discursa durante evento do PMDB em Brasília. 07/05/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

 

 

BRASÍLIA (Reuters) - Em um Congresso em que a decisão mais clara foi a de que o partido terá candidato próprio em 2018, o PMDB tentou unificar um discurso próprio nesta terça-feira e marcar um distanciamento das políticas de Dilma Rousseff, mas evitando mostrar neste momento que irá desembarcar do governo nos próximos meses, apesar da pressão de uma ala mais radical do partido.

 

Ao chegar no evento, organizado pela Fundação Ulysses Guimarães, o vice-presidente Michel Temer tentou minimizar as discussões sobre um rompimento com o governo. “Isso vai ser discutido só em 2017, 2018. A pressão é natural. Temos que colaborar com o país, mesmo com as pessoas que querem sair do governo. Mesmo elas querem colaborar com o país. O PMDB não vai sair”, afirmou.

 

O que precisa, o que o PMDB está pregando, é exatamente a pacificação nacional, a unificação nacional", disse Temer.

 

O tom conciliador se repetiu no discurso em que fez à plenária do encontro. Temer, que preside o partido, referiu-se à “dramática situação” que o país vive e ressaltou que a "grave crise ameaça o povo com velhos fantasmas: a inflação e a inviabilização do governo de oferecer programas sociais”.

 

Em nenhum momento, no entanto, responsabilizou a presidente ou o governo. Ao contrário, ao lembrar que o documento “Uma Ponte para o Futuro”, que dará as diretrizes para um programa de governo, disse que pode ser uma colaboração ao governo que ele pertence.

 

O vice-presidente defendeu as proposta contidas no documento, entre elas temas difíceis como o fim das vinculações constitucionais no Orçamento, que garantem recursos para educação e saúde, e a adoção de uma idade mínima para aposentadoria. “As mudanças  devem ser estruturais, não cosméticas. Só assim seremos competitivos no mercado internacional”, afirmou.

 

Temos que ter coragem de não fugirmos da verdadeira luta, de não nos encolhermos diante da demagogia fácil. A sociedade brasileira exige ousadia, demanda um estado moderno, ágil e eficaz”, disse.

 

CANDIDATURA PRÓPRIA

Durante o discurso, mais uma vez Temer foi interrompido por militantes gritando por seu nome como candidato em 2018 e pedindo o impeachment de Dilma. O grupo, que faz parte do Movimento Brasil Livre, foi convidado por parlamentares do próprio PMDB para ir ao congresso.

 

Aparentando constrangimento, o vice-presidente respondeu: “Vamos esperar 2018. Vamos montar um candidato, um grande nome do PMDB. Estou encerrando minha vida pública.”

 

Na plateia, no entanto, os militantes eram mais exaltados do que as lideranças que usavam a tribuna para discursar. Assim que Temer entrou no local do Congresso foi recebido com gritos de “Brasil, pra Frente, Temer Presidente”.

 

Antes da chegada dos caciques do partido, deputados e senadores mais radicais usaram o microfone para cobrar uma postura mais dura. Darcísio Perondi (RS) defendeu o impeachment da presidente. Geddel Vieira Lima, que foi ministro no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o “PMDB está abraçado e irmanado” na crise que o governo Dilma passa, mas nunca foi chamado para discutir a economia.

 

Não temos autoridade moral para falar de candidatura própria em 2018 se continuarmos nesse governo. Temos que ter a coragem de abandonar os cargos, as sinecuras. Eu não suporto mais a ideia de ouvir as pessoas dizerem que haja o que houver o PMDB será governo”, discursou.

 

O roteiro do Congresso foi o previsto nos dias que o antecederam por peemedebistas de alto escalão ouvidos pela Reuters. Os mais radicais ocuparam a tribuna para defender uma ruptura já com o governo, enquanto os mais alinhados não compareceriam --caso do PMDB do Rio, próximo a Dilma. Não compareceram nem o prefeito Eduardo Paes, nem o governador, Luiz Fernando Pezão, ou o líder do partido na Câmara, Leonardo Picciani.

 

Um outro grupo, por enquanto majoritário, trabalha “silenciosamente” para que o partido deixe o governo a partir da convenção de março de 2018. De acordo com os peemebistas “legalistas”, apenas a convenção, que muda também a direção do partido, pode tomar essa decisão.

 

O trabalho, no entanto, é silencioso. A avaliação do grupo ligado a Michel Temer é que o PMDB não pode criar mais problemas com o governo, enquanto ainda não estiver pronto para romper a associação com o PT, mesmo que a maioria defenda que o relacionamento já se esgotou.

 

Quem tem candidatura própria tem que sair do governo", afirmou o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, um dos mais próximos a Temer, acrescentando que isso poderá ser decidido na convenção de março.

 

"A partir daí vamos dialogar olho no olho com a presidente e com o PT com quem temos aliança. Certamente, nesse momento a vontade da maioria é de continuarmos ajudando o Brasil e o governo”, disse Padilha.

 

 

(Com reportagem adicional de Leonardo Goy e Anthony Boadle)

 

 

 

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