Por apoio, Dilma entrega presidência dos Correios para o PDT

11/11/2015 11:14

Gustavo Uribe – Folha de S. Paulo

 

BRASÍLIA - Na tentativa de restabelecer a fidelidade da base aliada no Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff entregou nesta quarta-feira (11) a presidência dos Correios, uma das principais empresas estatais do governo federal, para o PDT.


Em decreto publicado no "Diário Oficial da União", a petista nomeou para o cargo o ex-deputado federal Giovanni Queiroz (PDT-PA). A indicação foi feita pelo ministro das Comunicações, André Figueiredo, também do PDT, e ocorre pelo modelo de "porteira fechada". Pela fórmula, o titular do ministério indica os ocupantes de toda a estrutura.

 

Formado em medicina e com atuação na área agropecuária, o novo presidente não é funcionário de carreira e também não faz parte dos quadros técnicos da companhia estatal.

 

A mudança, que foi antecipada pelo jornal "O Globo", causou insatisfação ao PT, que controla os Correios desde 2011. O partido tem reclamado da perda de espaço nos cargos de segundo e terceiro escalões do governo federal, que têm sido entregues a partidos da base aliada que têm ajudado a impor derrotas ao Palácio do Planalto na Câmara dos Deputados.

 

O ex-presidente da empresa estatal, Wagner Pinheiro, é aliado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ajudou a coordenar a equipe do governo de transição do petista em 2002.

 

Além dos Correios, o PT perdeu o comando do Sebrae, que foi entregue ao ex-ministro Guilherme Afif Domingos (PSD), e deve deixar a presidência da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), posto estratégico para a sigla no Nordeste.

 

No esforço de recuperar a base aliada, o governo federal também tem entregue cargos de segundo e terceiro escalões a leigos. Um turismólogo, por exemplo, vai comandar a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) na Bahia e um corretor de imóveis irá gerir a CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) na Paraíba.

 

A onda de nomeações também alcança cargos que foram palco da chamada faxina feita pela presidente em seu primeiro mandato, quando demitiu vários por suspeita de corrupção.

 

Nesses casos, foram contemplados PTB, PP, PR, PSD e PRB, siglas que, em outubro, ajudaram a esvaziar a sessão do Congresso Nacional de análise de vetos presidenciais.