Porandubas Políticas - Por Gaudêncio Torquato

29/10/2015 00:16

Porandubas Políticas

Por Gaudêncio Torquato

Gaudêncio Torquato

Abro a coluna com uma historinha do ES.

Robô do prefeito ?

Em tempos idos, na Câmara Municipal de Mimoso do Sul/ES, Luiz Carlos da Silva, líder do PMDB, discutia com Jaime da Rocha Nogueira, líder do PDS, por causa do prefeito Pedro Costa, também do PDS. Luiz Carlos atacava o líder do prefeito :

- V. Exa. é um teleguiado, sem personalidade. Só cumpre ordens.
- Sou líder. E o líder tem de dizer o que o Executivo pensa.
- Critico o comportamento de V. Exa., por ser um homem de recados, robô do prefeito.
- Senhor vereador, até agora discutia com V. Exa. porque não me sentia agredido. Agora, V. Exa. vai ter de provar a esta Casa quando é que eu roubei o prefeito.

A sessão acabou em tumulto !

A onda cresce

A cada semana, a operação Lava Jato vai jogando sua onda sobre mais figuras de relevo. A semana começa com a nova fase da operação Zelotes, essa que desvenda denúncias nas proximidades do CARF, o conselho que julga recursos na Receita Federal. Chamaram atenção a busca e a apreensão de documentos na empresa de Luís Cláudio Lula da Silva, o filho de Lula que tem uma empresa de marketing esportivo. Ou seja, a onda bate nos costados da família do ex-presidente. Ao que se lê, ele continua a execrar esse tipo de ação, considerando-a exagerada. Significa intuir, como lembra Sérgio Moro, que ninguém está imune aos atos jurídicos expedidos pelo aparato da Justiça. A juíza Federal Célia Regina Ody Bernardes foi quem aceitou os argumentos do MPF. Quem também prestou depoimento foi o ex-ministro Gilberto Carvalho sobre o affaire da compra de MPs para favorecer setor automotivo. As instituições funcionam a pleno vapor.

Dilma x Lula

São conhecidas as manifestações da presidente Dilma sobre eventuais dissensões que teria com Lula, seu mentor. Nunca ninguém será capaz de afastá-los por meio de insinuações malévolas. É o que se depreende da recorrente expressão presidencial. Agora mesmo, ela fez homenagem a Lula por seu 70º aniversário. Mas parece que as coisas não caminham bem entre os dois polos de poder. Luiz Inácio gostaria que a crise fosse enfrentada com menos rigor ao bolso das margens carentes. Para tanto, gostaria de que o ministério da Fazenda fosse gerido por um perfil mais afeito a uma política compensatória e de acesso ao consumo. Joaquim Levy é o oposto dessa receita. Os dois estariam em campos opostos nessa matéria. E também na área do controle da PF.

Zelotes

A apreensão de documentos pela PF no escritório do filho Luís Cláudio é a pimenta malagueta que queima a língua do ex-presidente Lula. Mas o fato é que as instituições estão funcionando, apesar do questionamento de alguns : "desse jeito" ?

Cenários do amanhã

Há quem aconselhe Lula a colocar logo seu bloco na rua. Assim, ele teria condições de correr o país desfraldando a bandeira de uma pré-candidatura. Inconvenientes : dá a cara para bater antes do tempo ; a superexposição pode lhe trazer mais dissabores na corrente de uma economia desarrumada e sem perspectivas de melhoria no curto prazo ; que discurso poderia expressar ? Favorável ao governo ? Seria pior a emenda que o soneto. Contra o governo ? Ih, hipótese inimaginável. Lula só tem uma alternativa : esperar que o tempo lhe conceda algum conforto.

PT saudações ?

Para o PT renascer das cinzas, melhor seria que Lula fosse candidato. Mesmo com uma derrota, Lula ainda possui estoque (em baixa) de carisma ; consegue animar parte das bases desmotivadas ; é o mais conhecido líder nacional. A candidatura de Luiz Inácio poderia refazer o partido, a partir de um número menor de prefeitos eleitos em 2016. Mas há este dado : Lula tem hoje a maior rejeição, segundo o IBOPE (55%). E Dilma sofre a rejeição de 70% dos brasileiros. Consolo : os contendores de Lula estão também acima dos 50% de rejeição.

Wagner

 

Jaques Wagner faz o papel de bombeiro, aquele que era exercido pelo vice-presidente Michel Temer quando detinha a missão da articulação política. Fala com todos, da esquerda à direita. O ex-governador da BA tem perfil agregador. Seria o candidato in pectore do ex-presidente Lula, em 2018, caso ele não veja condições para sua própria candidatura.

 

Manente

Alex Manente, o jovem deputado Federal do PPS/SP, lidera a corrida para a prefeitura de São Bernardo do Campo. O segundo lugar é do deputado estadual Orlando Morondo, do PSDB, que luta pelo apoio do governador Geraldo Alckmin.

Corrida paulista

Marta Suplicy deve ser a candidata do PMDB à prefeitura de SP. Conserva um bom recall nas camadas periféricas, que aprovaram com fervor a criação dos CEUS, os centros educacionais. Gabriel Chalita terá dificuldades para emplacar seu nome, pois é muito ligado ao prefeito Fernando Haddad. Aliás, a tendência do PMDB é romper com o prefeito Haddad. O diretório municipal é presidido por Chalita, secretário da Educação do município. Que confa, hein ? Pelo PSDB, João Dória faz um mutirão pelos diretórios da periferia, em aplicada lição de casa. Pesquisas internas mostram que já ultrapassa o pré-candidato, vereador Andrea Matarazzo.

Marta e Russomano

Marta tem um bom recall. Bem como Celso Russomano. Ambos, porém, são muito rejeitados pelas áreas centrais, onde pontificam as classes médias. Marta não consegue ainda extirpar de sua identidade a marca petista. E Russomano não consegue limpar o borrão populista e demagógico. Se forem candidatos, entrarão com índices respeitáveis na campanha. Mas a projeção é a de que cairão, ao final da reta. A conferir.

Campanhas pobres

A campanha municipal de 2016 será uma das mais modestas das últimas décadas. Os candidatos que simbolizam a assepsia política deverão ser favoritos. O povo quer mudanças. E está à procura de perfis sérios, não comprometidos com as velhas práticas, com experiência administrativa (não necessariamente na política), vida pessoal ancorada na retidão e no compromisso. Quem vestir esse figurino, pode se apresentar.

Atenção, pré-candidatos

 

O escopo do marketing político, ao longo da história, tem se mantido praticamente o mesmo. O que muda são as abordagens e as ferramentas tecnológicas. Atentem. No ano 64 a.C., Quinto Túlio Cícero enviava ao irmão, o grande tribuno e advogado Cícero - protagonista de episódios marcantes por ocasião do fim do sistema republicano e implantação do Império Romano - uma carta que considero o primeiro manual organizado de marketing eleitoral da história. Ali, Quinto Túlio orientava Cícero sobre comportamentos, atitudes, ações e programa de governo para o consulado, que era o pleito disputado, sem esquecer as abordagens psicológicas do discurso, como a lembrança sobre a esperança, este valor tão "marketizado" no Brasil e que se transformou no eixo central do discurso da era lulista. Dizia ele : "três são as coisas que levam os homens a se sentir cativados e dispostos a dar o apoio eleitoral : um favor, uma esperança ou a simpatia espontânea".

 

Quem, quem, quem ?

Pergunta recorrente : qual é o perfil que incorpora o sentido do novo, o avanço, a modernização de costumes e práticas da política ? Quem souber, aponte. Os radicais livres, na ponta esquerda do arco ideológico, não têm votos.

Marina segura a barra ?

 

Fala-se muito na volta por cima de Marina Silva, que poderia vestir o manto da pureza ética. Marina, porém, transmite a imagem de fragilidade. Sem punch para levar adiante uma campanha pesada, contundente, cheia de curvas e percalços. Teria pouca força para segurar a barra de uma campanha presidencial. Mesmo dispondo da ajuda de amigos(as) poderosos(as).

 

Provisório e permanente

A cultura do provisório, por estas plagas, acaba ganhando vestes permanentes. Impostos provisórios tendem a se tornar permanentes. Agora, são as prisões. Uma prisão provisória, feita para tomar depoimentos e evitar influência dos indiciados nas investigações, também ganha ares de permanência. Quem fez esse alerta foi nada mais nada menos que FHC, na entrevista que deu no Roda Viva da TV Cultura da segunda-feira. Grandes empresários estão presos há mais de 120 dias.

Macri pode ganhar ?

Se Maurício Macri ganhar o segundo turno na Argentina, a virada da oposição se tornará um marco no processo eleitoral do continente. Macri promete abrir a economia. O governista Daniel Scioli pode até ganhar o segundo turno do dia 22/11. Mas o eleitor, aqui e alhures, está mostrando que o voto sai do coração para subir à cabeça. A racionalidade, o exame crítico, a avaliação, o bom senso começam a balizar a decisão do eleitor em todos os espaços.

3,5% de queda

Analistas e consultores projetam queda de até 3,5% no PIB em 2016. Quem ainda diz que o ano eleitoral será melhor que o atual ? O fundo do poço ainda não chegou.

Cunha

Nos últimos dias, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ganhou algum fôlego. Enquanto o STF não indiciá-lo, conduzirá uma densa agenda. E mais : não está fora de tom a projeção de que o Conselho de Ética da Câmara entre em ritmo de tartaruga para analisar o pedido de um grupo de parlamentares para tirá-lo da cadeira presidencial.

Propaganda negativa

 

A revolução francesa de 1789 pode ser considerada o marco da propaganda agressiva nos termos em que hoje se apresenta. Ali, os jacobinos, insuflados por Robespierre, produziram um manual de combate político, recheado de injúrias, calúnias, gracejos e pilhérias que acendiam os instintos mais primitivos das multidões. Na atualidade, é a nação norte-americana que detém a referência maior da propaganda agressiva, mola da campanha negativa. Este formato, cognominado de mudslinging, apresenta efeitos positivos e negativos. No contexto dos dois grandes partidos que se revezam no poder - democrata e republicano -, diferenças entre perfis e programas são mais nítidas e a polarização sustentada por campanhas combativas ajuda a sociedade a salvaguardar os valores que a guiam, como o amor à verdade, a defesa dos direitos individuais e sociais, a liberdade de expressão, entre outros. Nem sempre a estratégia de bater no adversário gera eficácia.

 

Historinha do PI fechando a coluna

Dois vereadores da Arena de Parnaíba/PI. Um, da Arena de Petrônio Portela, o outro da Arena de Alberto Silva. Inimigos políticos. Um, dentista, pôs os dentes na boca do outro. Na primeira sessão, os dois brigaram :

- V. Exa. é um desonesto.
- Desonesto é você, filho de uma... Devolva meu dente. Pois fui eu que pus.
- Eu paguei, seu sacana.
- E daí que pagou ? Falar mal de mim, até pode. Com meu dente, não.

Partiu pra cima. E arrancou os dentes. Sem anestesia.

 


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