Preso na Lava Jato tinha acesso amplo e direto

24/11/2015 11:55

Pecuarista José Carlos Bumlai, detido na 21ª fase da operação, utilizou contratos da Petrobras para quitar dívida de R$ 12 mi

Luiz Inácio Lula da Silva: procuradores dizem não ter provas de seu envolvimento no caso

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Preso na Lava Jato tinha acesso amplo e direto à sede do governo Lula, diz MP

Preso na 21ª fase da Operação Lava Jato, o pecuarista José Carlos Bumlai tinha "amplo e direto acesso ao Palácio do Planalto" na época em que Luiz Inácio Lula da Silva era presidente, afirmaram procuradores do Ministério Público Federal, na manhã desta terça-feira (24). 

Palácio do Planalto no início da semana passada: pecuarista entrave e saía quando queria

A facilidade com que o pecuarista circulava pela sede do governo federal petista era tão grande que acabou levando à nomeação da nova fase da investigação – batizada Operação Passe Livre, justamente pelo livre acesso que ele tinha.

"Não existe comprovação da interseção do ex-presidente no caso. A ordem teria vindo de cima, mas não há provas ainda em relação a isso", disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, em coletiva de imprensa realizada em Curitiba.

Os investigadores não souberam explicar o motivo pelo qual o acesso do pecuarista ao Planalto era tão frequente. "Investigamos a origem desses diversos empréstimos e se eles tiveram motivação politica. É isso o que queremos saber", completou.

A principal linha da 21ª fase da operação é a de que Bumlai utilizou contratos firmados com a Petrobras para quitar empréstimos, entre eles um de R$ 12 milhões, contraídos com o Banco Schahin. De acordo com o procurador Diogo Castor de Mattos, há ainda ao menos uma dezena de empréstimos semelhantes envolvendo pessoas ligadas ao pecuarista, em valores que somam dezenas de milhões de reais. 

Segundo os procuradores, às vésperas da assinatura do contrato de US$ 1,6 bilhão da Schahin Engenharia com a Petrobras para operação de um navio-sonda da estatal, "uma complexa engenharia" financeira levou à venda de embriões por parte do pecuarista para quitar a dívida.

Para a Polícia Federal, o recibo de quitação deixa claro que houve vantagem indevida de funcionários da Petrobras para os cuidados da Plataforma Vitória, assumida pela empresa de engenharia. 

A Receita Federal, que trabalhou em conjunto com a Polícia e o Ministério Público Federal na atual fase da operação, afirmou que seu trabalho foi analisar a evolução patrimonial dos envolvidos e a origem desse dinheiro. "A série de empréstimos serviu para dissimular o real destino ou para dar recursos ao aumento patrimonial", disse auditor da Receita na coletiva. 

Pecuarista, empresário do setor sucroalcooleiro e amigo do ex-presidente Lula, Bumlai teve seu nome citado pela primeira vez na investigação nas delações premiadas de Eduardo Musa, ex-gerente da Petrobras, e do lobista Fernando Soares – o Fernando Baiano.

Segundo Baiano, o pecuarista recebeu R$ 2 milhões para intermediar um contrato da estatal junto a Lula. Bumlai seria ouvido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do BNDES nesta terça-feira, mas, segundo os procuradores, por coincidência, a prisão preventiva emitida pela Justiça Federal, sem prazo para ser encerrada, postergou o depoimento. 

 

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