Prisão opõe bancadas à direção do partido

27/11/2015 10:07

Parte da legenda diz que Rui Falcão precipitou-se ao emitir nota contra senador, enquanto outra alega que prisão foi ilegal

 

Ricardo Galhardo e Ana Fernandes - O Estado de S. Paulo

 

São Paulo - O tratamento duro dado pela direção do PT ao senador Delcídio do Amaral (PT-MS), ameaçado de ser expulso do partido, desencadeou uma queda de braço entre a cúpula petista e as bancadas da legenda no Senado e na Câmara.

 

Na quarta, o presidente do PT, Rui Falcão, divulgou uma nota na qual diz que o partido não deve solidariedade ao senador e que a executiva petista vai apreciar o caso, indício de que parte da cúpula petista deseja expulsar Delcídio. O objetivo de Falcão foi minimizar o estrago da prisão do senador à já combalida imagem do partido e tentar manter alguma base para um discurso de defesa da ética.

 

Horas depois, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), reagiu dizendo que a nota foi feita à revelia da bancada. Ontem, a insatisfação se alastrou para a bancada do PT na Câmara. Em conversas reservadas, deputados disseram que o texto foi divulgado de forma precipitada e intempestiva, condenando previamente o senador sem ouvir o partido.

 

Parte dos deputados petistas considera que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de prender Delcídio no exercício do mandato é ilegal, abre um precedente perigoso para o futuro e deveria ser objeto de apreciação do partido.

 

A nota não ataca a questão principal, que é o fato de o STF ter rasgado a Constituição ao prender um senador no exercício do mandato sem que houvesse flagrante. Houve um rompimento do estado de direito”, disse o deputado Carlos Zaratini (PT-SP).

 

Apoio. A nota de Falcão ganhou, porém, forte apoio de outras instâncias dirigentes do PT. “Apoio integralmente a nota do presidente Rui Falcão”, disse o presidente do diretório estadual do PT de São Paulo, o maior do partido, Emídio de Souza. “Pessoalmente sou favorável à expulsão (de Delcídio). Não podemos ter tolerância com esse tipo de coisa”, completou.

 

A direção do PT do Rio Grande do Sul também emitiu um comunicado no qual pede o afastamento imediato do senador dos quadros partidários com base no artigo 246 do estatuto petista que determina a suspensão cautelar de filiados “em casos de percepção de vantagens indevidas, favorecimentos, conluio, corrupção, desvio de verbas”. Além disso, o PT-RS pede abertura de processo disciplinar com vistas à expulsão do senador.

 

Nesta quinta, Falcão negou que haja divisão em relação às bancadas mas admitiu que a executiva do PT deve tomar alguma decisão prática.


 


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