Propostas do PMDB vão ao encontro de política tucana

30/10/2015 10:01

Em artigo sobre crise, Armínio Fraga defende pontos semelhantes

 

- O Globo

 

RIO - Alguns pontos relativos à política econômica do programa “Uma ponte para o futuro”,apresentado ontem pelo PMDB, vão ao encontro de propostas defendidas pelo economista Armínio Fraga para conter a crise no país, em artigo publicado pelo GLOBO no início de setembro. As medidas também são defendidas por outros economistas tucanos. A análise de Armínio foi feita após o rebaixamento do grau de investimento do Brasil. Entre as propostas em comum, PMDB e Armínio, que foi presidente do Banco Central no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sugerem o fim de indexações, seja de salários ou benefícios.

 

De acordo com Armínio, a vinculação do piso da Previdência ao salário mínimo “é cara e regressiva.” Para os peemedebistas, vinculações e indexações “engessam o Orçamento”. Ainda entre as propostas de Armínio, está a reforma do PIS-Cofins e do ICMS, este último acrescido da unificação e simplificação das regras do imposto. Na mesma linha de trabalho, o PMDB defende a redução do número de impostos, além da unificação da legislação do ICMS.

 

Tanto os peemedebistas quanto Armínio sugerem mudanças na área trabalhista. O partido recomenda que “as convenções coletivas prevaleçam sobre as normas legais, salvo quanto aos direitos básicos”. Armínio defendeu em seu artigo que, na área trabalhista, deve-se haver mudanças, “onde o negociado se sobrepõe à lei”.

 

Outro ponto em comum entre as propostas estão alterações na política de comércio internacional. O PMDB prega a “inserção plena da economia brasileira no comércio internacional, com busca de acordos regionais de comércio em todas as áreas econômicas relevantes — EUA, União Europeia e Ásia — com ou sem a companhia do Mercosul.” Já em seu artigo, Armínio defendeu “o aumento da integração do Brasil ao mundo (um primeiro passo seria transformar o Mercosul em zona de livre comércio).”

 

Armínio Fraga foi um dos responsáveis pela criação das propostas tucanas para a área econômica do plano de governo do senador Aécio Neves (PSDB- MG), apresentado ano passado durante a campanha presidencial. Numa vitória de Aécio, Fraga assumiria a pasta da Fazenda.