PSDB perdeu a identidade e beira o surrealismo

17/08/2017 13:04
"PSDB perdeu a identidade e beira o surrealismo"
Por Ricardo Mendonça e Cristiane Agostine | Valor Econômico
 
"O PSDB não tem razão nenhuma para pedir desculpas sobre coisa alguma (...) Não vamos dar a mão à palmatória"
 
"Se as pesquisas sugerirem que estamos fadado a um desastre populista, Doria pode ser arrastado a ser candidato"
 
SÃO PAULO - "O PSDB perdeu a identidade há muito tempo, mas agora está chegando a um ponto que beira o surrealismo." Quem afirma é o cientista político e consultor Bolívar Lamounier, fundador do partido e um dos principais intelectuais tucanos. Para Lamounier, a divisão da bancada do PSDB na Câmara na votação da denúncia contra o presidente Michel Temer e os recentes ataques de parte da legenda à direção partidária demonstram que a sigla é incapaz de seguir uma diretriz e está paralisada.
 
O cientista político julga o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, mais preparado que o prefeito da capital, João Doria. No entanto, avalia que Doria deve ser o candidato tucano à Presidência em 2018 se ficar evidente que tem mais chances de vencer o que chama de "populistas" da esquerda.
 
Para Lamounier, o distritão para eleição de deputado é "uma fórmula rápida e simples de piorar tremendamente o sistema partidário". Em análise na Câmara, apesar da forte resistência à proposta, o distritão extingue a regra da proporcionalidade ao desprezar votos em legenda e o desempenho de nomes menos votados no cálculo de distribuição de cadeiras. A tendência, diz, é que a eleição se transforme num "tirirical", em referência ao deputado Tiririca (PR-SP).
 
Valor: Que balanço o senhor faz desses 14 meses do governo Temer?
 
Bolívar Lamounier: Diria mediano. Ele conseguiu aprovar algumas medidas - poucas - de reforma econômica. Não conseguiu produzir um impacto nas expectativas, os investimentos não voltam só porque a Dilma [Rousseff] foi impedida. A reforma da Previdência está em dúvida ainda. A trabalhista eles vão aguar um pouquinho para adoçar a boca dos sindicatos. É muitíssimo aquém do que o país precisa. Mas antes isso do que nada, porque com a Dilma a gente iria andar para trás mesmo. Tem uma equipe econômica de primeira linha, que está funcionando como uma espécie de primeiro-ministro. Enquanto Temer "presidenteia", a área econômica governa. O resto não existe.
 
Valor: Para o historiador Luiz Felipe de Alencastro, o mais grave de Temer é o fato de ser a combinação de governo sem voto, de legitimidade derivada, com uma plataforma muito radical e oposta à de sua chapa em 2014, com mudanças que mexem profundamente no gasto público, nas relações de trabalho, na Previdência. Concorda?
 
Lamounier: Discordo dos dois pontos. Temer foi eleito com os mesmos votos de Dilma. A Constituição estipula que a chapa vincula os dois candidatos. E julgar a legitimidade de um governo porque ele foi forçado pela realidade a mudar de rumo é imaginar uma falta absoluta de racionalidade na política. Se o GPS diz que na frente tem um abismo, sigo em frente?
 
Valor: O senhor concorda com a tese de que a impopularidade de Temer é uma vantagem, ao dar oportunidade de promover medidas que outros, com voto, não fariam?
 
Lamounier: É um paradoxo interessante. Se Temer tivesse 20% [de avaliação positiva] talvez tivesse mais dificuldade. Para bem entender o funcionamento desse paradoxo, é preciso lembrar que Temer é criado politicamente dentro do Parlamento. Um homem formado dentro do Parlamento faz um governo mais forte do que o populista, aquele que corre por fora e que tenta atropelar o Congresso. Sou parlamentarista. Temer, com 3% ou 4% de popularidade, conseguiu aprovar mais que o Lula com 80%. O percentual de popularidade indica um potencial de poder. Mas o potencial do governo Lula foi usado em 0,5%. Ele não fez nada.
 
Valor: Temer faz enormes concessões para aprovar o que quer. Na votação da denúncia na Câmara, liberou R$ 13,2 bilhões para emendas, além dos benefícios para a bancada ruralista. São métodos corretos?
 
Lamounier: Não, são profundamente incorretos. Mas esse é o país em que vivemos. Se o sistema político tivesse outra organização, talvez tivéssemos uma composição diferente no Congresso. A bancada ruralista representa o setor mais poderoso da economia, o que está segurando e estabilizando. E não temos mais partidos. Nem arremedo de partidos. Então, quem organiza a atividade do Congresso são as bancadas. A ruralista, a evangélica etc. E a corrupção, que foi um fator organizativo de uma potência impressionante - obviamente, estou falando de maneira pejorativa. Mas a corrupção, financiando os partidos e determinadas figuras, como o Eduardo Cunha, comprando decisões, Medidas Provisórias, a corrupção estabeleceu uma agenda. Partidos eram efetivamente fachadas. Eu dizia que os partidos eram fracos. Agora, com muita tristeza, sou obrigado a dizer que eles não existem.
 
Valor: A proposta de distritão foi aprovada na CCJ da Câmara, vai ao plenário. O que acha da ideia?
 
Lamounier: O distritão não é uma jabuticaba, é um jabuticabal. Uma fórmula rápida e simples de piorar tremendamente o sistema partidário. Em vez de um ou dois partidos terem os seus Tiriricas, todos terão seus Tiriricas, porque vai se tornar questão de sobrevivência. Só quem chama a atenção na televisão ou tem recall do nome terá visibilidade. Nos Estados menores, onde alguns políticos estão plantados até a raiz, vai ter zero de renovação. Num Estado grande, como São Paulo, onde tudo acontece dentro do universo televisivo, teremos um tirirical.
 
Valor: Supondo que Temer não seja derrubado pela segunda denúncia do procurador-geral, já que não caiu na primeira, o que esperar da etapa final desse governo?
 
Lamounier: O que podemos esperar é que o tempo passe. Não há saída para um impasse desse tamanho. Dado que as acusações vão continuar surgindo, que a sociedade está pelo pescoço com o Congresso e com boa parte do judiciário, seguiremos num ambiente de crise até a eleição.
 
Valor: E o silêncio das ruas? Temer tem a pior taxa de popularidade, mas não foi alvo de grandes manifestações. Alguma explicação?
 
Lamounier: Simples: as ruas só se manifestam quando a situação está polarizada, quando tem um A contra um B. Quando se está contra todos, ninguém sai. Você entra em depressão e fica em casa.
 
Valor: O PSDB fez certo ao manter apoio a Temer, ocupar cargos no governo, ter votado como votou na apreciação da denúncia de Janot?
 
Lamounier: Eu, muito relutantemente, seria a favor de manter [apoio]. Não se troca de presidente a cada seis meses. Mas há outra questão envolvendo o PSDB muito mais deprimente. Se [na bancada de deputados tucanos] fosse 38 a 5 para um lado ou para outro [na votação para aprovar a denúncia contra Temer], não ficaria tão triste. Mas 22 a 21 [placar final a favor de Temer] significa que o partido não é capaz de estabelecer uma linha, não consegue ter um diretriz. É simbólico se dividir bem na metade. O PSDB perdeu a identidade há muito tempo, mas agora está chegando a um ponto que beira o surrealismo. Se não consegue ter na bancada uma linha mínima, então desmilinguiu-se.
 
Valor: O partido se dividiu novamente no apoio à propaganda partidária que diz "o PSDB errou". Metade foi contra, mas o presidente interino, Tasso Jereissati, defendeu.
 
Lamounier: É um partido paralisado, incapaz de tomar decisões porque não tem identidade. E sequer prudência e sabedoria. Tem de ter colaboração, paciência com a situação crítica que a direção está vivendo. Eu também não gostei do tom [da propaganda], mas não critiquei. O presidente do partido [Aécio Neves] saiu comprometido com acusações de corrupção. Não é fácil achar outro presidente. Graças a Deus tem o Tasso, sujeito respeitável. Aí ele comete um erro, todo mundo sai [criticando Tasso] com berrante? Deslegitima ainda mais a posição dele.
 
Valor: Por que acha que o tom da propaganda está errado?
 
Lamounier: O PSDB não tem razão nenhuma para pedir desculpas sobre coisa alguma. Quem tem que pedir desculpas e, mais que isso, confessar crimes é o PT. O PSDB parece que tem uma simbiose negativa com o PT, tem hora que parece que tem uma vontade de ser o PT. O PSDB pode ser um partido horroroso e indeciso, mas estabilizou a economia depois de 33 anos de inflação. Não pode ser comparado ao PT. Não tem que pedir desculpas. Tem que ir à TV dizer que a situação do país é terrível. Sabemos que estamos sendo atingidos, que o eleitor está irado conosco, como com qualquer outro partido. Mas não vamos dar a mão à palmatória. Vamos repor os problemas em discussão. Fazer a fuga para frente, não para trás.
 
Valor: Arminio Fraga, que era cotado para ser ministro da Fazenda num governo Aécio, disse que ficou "chateado" ao ouvir as conversas do senador com Joesley Batista, da JBS. E o senhor, como reagiu?
 
Lamounier: Fiquei muito mais do que chateado. Aécio saiu pequenininho do episódio. Errou profundamente, no conteúdo e na forma, por dizer tantos palavrões. Vai pedir R$ 2 milhões a Joesley para pagar advogados? Vá ao banco. A história parece inverossímil. Foi algum tipo de favor, propina.
 
Valor: Aécio era presidente do PSDB e representante do partido na disputa presidencial de 2014. Isso enfraquece o discurso do partido...
 
Lamounier: Não. Enfraquece a figura dele. Quis muito que ele ganhasse, tinha confiança nele, mas agora tenho visão diferente porque tenho informação diferente. A figura dele ficou para lá de chamuscada, não a do partido.
 
Valor: E mesmo assim acha um erro fazer mea culpa?
 
Lamounier: Aécio que faça, não o partido.
 
Valor: Aécio voltou a se articular, faz reuniões com Temer, surpreendendo Tasso. Como o partido deve resolver essa questão do Aécio?
 
Lamounier: Aécio tem que ser afastado da presidência do PSDB. Tasso está interino. Deveria se afastar por uns quatro ou oito anos e fazer penitência. Pedir R$ 2 milhões a notório bandido com arremedo de argumento é chocante.
 
Valor: No manifesto, o PSDB diz que nasceu para ficar longe das benesses do poder, mas perto do pulsar das ruas. Apoiar Temer é isso?
 
Lamounier: A adesão ao governo Temer foi pela governabilidade, para Temer ter 40 votos e alguns ministros de prestígio. Os quatro ministros não estão lá para extrair benesses, mas para ajudar.
 
Valor: Lula tem quase um terço das intenções de voto e uma condenação classificada por muitos como extremamente frágil. O que significaria um colegiado de três desembargadores impedi-lo de disputar?
 
Lamounier: Se fosse você ou eu metido no imbróglio do apartamento ou do sítio, iríamos para a cadeia. Algum juiz ira acreditar que foi um empréstimo que alguém fez? Será que os juízes desconhecem a figura do enriquecimento ilícito, que só tem punição se o bandido deixar assinado o papel? Lula e o PT discursam como se vivêssemos em uma monarquia absoluta. Tem uma pessoa intocável e os outros são iguais.
 
Valor: FHC disse que João Doria não mudou nada em São Paulo e que só faz sucesso no celular. Que avaliação faz da gestão do Doria?
 
Lamounier: Doria usa esse estrelato como qualquer político usa seus recursos. O que seria do Ciro Gomes se não fosse o gogó? Acho muito severa a avaliação do Fernando Henrique. Pelo o que percebo no dia a dia, não estou acompanhando metodicamente, é que... está melhorando a cidade. Não concordo com a ideia de privatizar o Ibirapuera, mas aplaudo a negociação em torno do Campo de Marte. Ele não entrou para ser prefeito corriqueiro, do dia a dia. Se tivesse uma montanha de recursos, encararia tarefas bem maiores.
 
Valor: Doria é candidato?
 
Lamounier: Ele pode ser arrastado à candidatura dependendo do Lula, do Ciro Gomes etc. Se as pesquisas sugerirem que estamos fadado a um desastre de ter outra vez uma Presidência populista, acho que ele, aparecendo melhor do que o Alckmin nas pesquisas, pode acabar sendo arrastado.
 
Valor: E como fica o Alckmin?
 
Lamounier: O candidato até o momento é o Alckmin. É o natural. Mas se chegarmos até abril de 2018 e as pesquisas mostrarem Doria muito mais forte que Alckmin, isso muda.
 
Valor: A pesquisa de intenção de voto é elemento forte para decisão?
 
Lamounier: É decisivo.
 
Valor: Parte do PSDB não concorda com pontos da agenda do Doria, como a ampla política de privatizações e concessões e ações na área social. Ele empurra o partido para um perfil mais conservador?
 
Lamounier: Essa parcela [do PSDB] precisa estudar mais. Envelheça, cresça, leia mais, faça mais comparações internacionais. O problema é a crise de identidade do PSDB. O sentimento de fraqueza é tão profundo, que não fazem esse raciocínio. Têm medo de serem chamados de neoliberal. Se passa um petista, aponta e chama de neoliberal, o tucano treme nas bases. O PSDB precisa fazer um exame de consciência profundo, moral e intelectual. Esse bom sentimento que leva as pessoas a dizer que são social-democratas precisa estar acoplado a mais conhecimento, melhor formação intelectual, a um programa mais bem desenvolvido que volte a dar ao partido a identidade que perdeu.
 
Valor: Por que Doria tem mais popularidade que Alckmin?
 
Lamounier: São vários fatores. Alckmin é uma pessoa mais recatada, não fica fazendo pirotécnico, tem visão mais técnica do que é governar. Não tem compreensão exata de que o executivo, em qualquer nível, tem uma certa dimensão teatral. Ninguém se candidata a cargo político, muito menos ao Executivo, se não tiver uma certa capacidade de conviver com uma dimensão teatral que a política envolve. Doria não é nem um pouco tímido, sabe perfeitamente fazer esse papel. E Doria entrou representando o novo. Ele derrotou quatro raposas velhas no primeiro turno. Não é para se desprezar. Em último lugar - e talvez eu peque por uma certa simpatia -, ele encarnou uma verdade que as pessoas queriam ouvir. Falou: "sou empresário, sou rico mesmo, tenho uma fortuna que não foi roubada e tenho propostas polêmicas que muitos não gostam, mas sou a favor de privatizar". Ele capitalizou certa simpatia de quem queria ver o político falar mais sinceramente.
 
Valor: Prefere Doria a Alckmin?
 
Lamounier: Não. Alckmin chegou num ponto bom de experiência, é um sujeito que passou por vários cargos, é eficiente. Alckmin é mais a bola da vez.
 
Valor: Muito se fala no PSDB que se Doria for o candidato, será uma traição a Alckmin. Como tem visto essa discussão no PSDB?
 
Lamounier: Estamos muito viciados em levar a análise política para o lado da futrica. De repente transforma isso em folhetim: dois personagens, o filho vai trair o pai. Política é bem mais que isso. É especialmente importante que se as pesquisas indicarem alguém com perfil claramente populista com chances, e Doria com mais chance do que Alckmin, [o candidato deve ser] Doria. Entendo por populista Lula e, principalmente, Ciro. Seria uma eleição dificílima porque o populismo é um mal bíblico.
 
Valor: Como explica essa ascensão repentina de Jair Bolsonaro, com 15% das intenções de voto?
 
Lamounier: Bolsonaro não é sujeito com muitas luzes. O trunfo dele é usar o discurso do ódio, da violência, da insegurança. Nem sempre funciona. Quem acredita que o problema da segurança pode ser solucionado durante o mandato e que o Bolsonaro tem as condições de resolver? Ninguém. Quero ver se chega com 15% até o início da campanha. Vai ficar com cerca de 10% e não vai ao segundo turno. A mesma coisa a Marina [Silva], que não é pessoa arrebatadora, capaz de convencer que tem um pensamento, uma agenda. Vai ficar com uns 15% e não vai para o segundo turno. Álvaro Dias menos, porque tem partido fraco, não é conhecido nacionalmente.
 
Valor: E Fernando Haddad, se não for o Lula o candidato do PT?
 
Lamounier: Vai dar tracinho.
 
Valor: Como analisa o enfraquecimento da esquerda e o impacto disso para o futuro? Pode abrir espaço para o crescimento de um pensamento mais conservador?
 
Lamounier: Não vejo um lado conservador crescendo no Brasil. A Constituição de 1988 foi no leito social, de que o Brasil tem que crescer ajustando a sociedade a um nível menor de desigualdade. O Brasil, bem ou mal, tem um consenso. Não há nenhuma pessoa de bom senso que acredite que um presidente ou um político de pouca expressão vai chegar lá e controlar a violência urbana, o narcotráfico, a ocupação dos morros. A política de segurança tem que ter complexidade muito maior e é política para 30 anos, não para um mandato.
 
Valor: Os mandatos de Lula autorizam falar que será populismo?
 
Lamounier: Lula é medroso. Ele não é Chávez, Cristina Kirchner. O truque predileto de todo populista é mexer no câmbio, mas Lula não tem coragem de interferir na política econômica drasticamente. O populismo dele não é o mais virulento. Mas adora ficar ali, conversando fiado, falando tolices. É o culto do ridículo.
 
Valor: Se é inócuo, por que pode ser visto como ameaça ao mercado?
 
Lamounier: Ele é populista do tipo brando. Mas a situação econômica agora não é branda. Precisamos tomar medidas enérgicas, drásticas, que imediatamente causarão perdas entre os setores. Naquela época, principalmente no segundo mandato, com 8% de crescimento, ele dava para todo mundo que pedia. Mas agora, com a economia mal e porcamente saindo da recessão, terá que arbitrar interesses conflituosos.
 
Valor: E Ciro Gomes, que já foi ministro da Fazenda logo após a adoção do Plano Real?
 
Lamounier: Ciro tem um defeito mais grave que Lula: ele não é medroso e acha que sabe economia. Se Ciro aparecer com chances reais de passar ao segundo turno e eventualmente vencer, os mercados, principalmente os megainvestidores, vão falar: "mais cinco anos de espera". Ninguém é doido de botar somas astronômicas e investimento em um país que parece que está brincando de política. Ciro é um pouco truculento e realmente acha que se chegar na Presidência resolve tudo. Dá medo. Pessoa que é autossuficiente e que acha que sabe de economia é o que há de mais grave. Veja Dilma. Truculenta e imaginava que sabia economia. Fórmula mortal.
 
 

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