PT e PSDB preparam-se para disputa em Belo Horizonte

11/01/2016 10:57

Por Marcos de Moura e Souza – Valor Econômico

BELO HORIZONTE - O PSDB e o PT preparam-se para se enfrentar novamente em Minas Gerais, agora na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. Os tucanos encaram a eleição com mais urgência. Consideram que vencer em Belo Horizonte dará a eles mais força para recuperar o governo do Estado. E, principalmente, dará uma base importante para uma eventual segunda tentativa do senador Aécio Neves (PSDB-MG) de se eleger presidente em 2018.

Ninguém definiu ainda seus nomes. Os tucanos têm pressa e querem escolher o candidato em fevereiro. O PT inicia o ano com divisões. Alguns acham que o melhor seria abrir mão de uma candidatura própria na cidade. Outra parte aposta num velho conhecido da política local, o atual ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias.

 

Em 2014, Minas Gerais foi palco de duas importantes vitórias petistas. O partido elegeu Fernando Pimentel como o primeiro governador do PT do Estado. E a presidente Dilma foi reeleita com a maioria dos votos de Minas - derrotando Aécio, que tinha prestígio como ex-governador.

 

Este ano, para facilitar seu caminho em Belo Horizonte, o PSDB - que tem cargos na prefeitura - quer o apoio do prefeito, Marcio Lacerda (PSB). Apoio que, claro, terá um preço. Se abrir mão de candidato na cidade, o PSB deverá exigir alguma compensação em outra capital, disse Lacerda ao Valor.


Enquanto tentam desenhar a fórmula para uma dobradinha, Aécio e Lacerda também tentam encontrar um candidato. O que seria o mais forte do grupo diz que não quer entrar na disputa. Ex-governador (entre 2011 e início de 2014) bem avaliado de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), aliado de Aécio, está em seu segundo ano de mandato como senador. Para muitos tucanos, Anastasia é um nome a ser guardado para a eleição para governador em 2018.

Sem ele, os mais cotados no PSDB são, até agora, opções de muito menos brilho. Um jovem jornalista esportivo que se elegeu deputado estadual, João Vítor Xavier; e um deputado estadual que ganhou projeção quando foi goleiro do Atlético e da Seleção, João Leite. Marcio Lacerda vê com simpatia um antigo colaborador seu e hoje seu secretário de Obras, Josué Valadão - que não tem nenhum traquejo eleitoral. Por fora, Alberto Pinto Coelho (PP) tenta se colocar como candidato de Aécio e Lacerda. Coelho foi vice de Anastasia e assumiu o governo quando o tucano deixou o cargo em abril para poder disputar o Senado.

 

Para o deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG), uma das vozes mais alinhadas com Aécio na Câmara, os preparativos para as eleições deste ano estão todos atrasados. Isso, diz ele, por causa das preocupações com a crise econômica e por causa da confusão sobre o impeachment ou não de Dilma.

 

"Está tudo muito mais atrasado que em outros anos. O quadro está todo indefinido, não há candidaturas na rua. Seria o momento de as candidaturas estarem se estruturando, começando a mobilizar grupos temáticos, mas está tudo mais ou menos na estaca zero", diz.

 

O atual presidente do PSDB em Minas, o deputado federal Domingos Sávio, acha que os tucanos não podem esperar muito mais. "O período limite das convenções é julho, mas eu defendo que até fevereiro a gente tenha a definição do nome, pelo menos internamente."

 

Os dois falam das eleições em Belo Horizonte como parte do "projeto nacional" do PSDB para 2018. A preocupação dos tucanos de Minas é: se não tiver um nome forte, o partido entrará na disputa com risco grande de sofrer uma segunda derrota significativa em Minas Gerais. E para as pretensões de Aécio isso seria mais um golpe.

 

Com muito menos em jogo, Marcio Lacerda entra em seu oitavo e último ano de mandato com outras questões em mente. "Espero que o nome do candidato não seja fruto de uma decisão de cúpula partidária, mas que passe por pesquisas qualitativas. Que seja alguém capaz de garantir a sobrevivência de um modelo de gestão da prefeitura que vem dando certo". Um modelo, segundo ele, que trabalha com planejamento detalhado, com metas, indicadores, engajamento dos servidores num projeto voltado para o interesse público. "As pessoas estão cansadas da velha política, querem bons gestores, com história limpa e com compromisso com o público."

 

Sobre um acordo entre o PSB e PSDB, Lacerda diz que esse é assunto que não se restringirá a Belo Horizonte. A hipótese levantada por tucanos é que o candidato a prefeito seja do PSDB e o vice do PSB. Mas para isso acontecer, o PSB deverá exigir que tucanos apoiem um candidato seu a prefeito em outra capital. Lacerda não quis antecipar quais cidades estão sendo cogitadas pelo PSB.

 

"Qualquer acordo partidário terá de passar pela direção nacional do PSB", disse Lacerda sobre uma discussão com os tucanos este ano em Belo Horizonte. "A direção nacional não aceitará acordos sem avaliação de reflexos em outras capitais ou sobre 2018".

 

Marcio Lacerda diz que não é de fazer planos pessoais de longo prazo e que não quer "subordinar" a discussão agora a eventuais projetos para daqui a dois anos. Mas dá a senha para os tucanos: "Eu poderia, eventualmente, vir a ser candidato ao Senado ou a governador em 2018".

 

No PT, os planos eleitorais para Belo Horizonte começaram com otimismo no fim de 2014, quando Pimentel foi eleito. Mas o ânimo foi recuando à medida que a Polícia Federal aprofundava as investigações ao longo de 2015 envolvendo suspeitas de caixa dois na campanha de Pimentel. O governador e pessoas ligadas a ele passaram a ser investigadas no âmbito da Operação Acrônimo que ainda está em curso.

 

Além disso, o PT nacionalmente viu sua imagem se desgastar em função da Operação Lava-Jato, da rápida e acentuada perda de popularidade de Dilma, da profunda retração da economia.

 

Em 2014, Aécio teve mais votos do que Dilma em Belo Horizonte - apesar de ela ter vencido no Estado. Os dois são belo-horizontinos. Na eleição estadual, Pimentel ganhou de Pimenta da Veiga (PSDB) na capital mineira por pouca diferença.


Se a caça do PT por votos na cidade foi difícil em 2014, nada indica que este ano será mais fácil. Desde o ano passado, alguns petistas mineiros falam claramente que o melhor seria que o partido não corresse o risco de uma feia derrota este ano a abrisse mão de lançar candidato em Belo Horizonte.

 

Um interlocutor frequente de Pimentel sintetiza a percepção dessa ala dizendo o seguinte: "É um momento difícil para o PT lançar candidato. O melhor, agora, seria apoiarmos um candidato do PMDB." Os pemedebistas governam Minas com Pimentel e o nome do partido que teria mais força é o do deputado federal Leonardo Quintão.

 

O cálculo de parte do PT é simples: num ambiente tão adverso, uma eventual derrota de um candidato petista em Belo Horizonte poderia trazer mais um desgaste a Pimentel, em seu segundo ano de mandato.

 

Mas a voz oficial e majoritária no partido é que o PT terá um candidato em Belo Horizonte, que o partido tem um histórico de bons governos municipais, que ajudou a criar bases para a gestão de Lacerda e que Pimentel tem uma aprovação razoável até agora e poderia ser um puxador de voto para um candidato petista.

 

Um dos cotados com mais força eleitoral hoje é o ministro Patrus Ananias, ex-prefeito de Belo Horizonte. Numa mostra do clima anti-PT, Ananias foi hostilizado em um bar de Belo Horizonte no fim do ano passado. Outra opção citada no partido seria Miguel Corrêa Júnior, jovem deputado federal que atualmente é secretário de Ciência e Tecnologia de Minas.

 

Com 2,5 milhões de habitantes (número estimado pelo IBGE para o ano passado), a cidade tem este ano um Orçamento de 12,2 bilhões. Sua dívida líquida cresceu nos últimos anos chegando a R$ 3,09 bilhões (segundo o último dado disponível, de agosto). A arrecadação vem caindo e fechou em R$ 6,2 bilhões, crescimento zero em relação ao mesmo período de 2014. Sob a atual gestão, Belo Horizonte apareceu como melhor capital do país para se viver num ranking de 2014 da consultoria Delta Economics & Finance.

 

Lacerda dá um conselho a quem quiser sucedê-lo: "Na eleição, não adianta fazer promessas fáceis. O país não vai se recuperar como deveria e em quatro anos não dá para iniciar e concluir nenhum grande projeto de infraestrutura."

 

 

 


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