Recessão mostra maior virulência nos serviços

24/12/2015 11:48

- O Estado de S. Paulo

 

Dependente do comportamento da indústria, do comércio, do agronegócio e até da atividade dos governos, a economia de serviços reflete a intensidade e a amplitude da recessão.

 

Empresas com receitas e lucros menores demandam menos serviços administrativos, técnicos, de transporte ou armazenagem, reduzem gastos com segurança, limpeza e atendimento ao consumidor.

 

Famílias ameaçadas pelo desemprego e com rendimentos declinantes cortam gastos com alimentação, recreação, estética, lavanderia e até com educação - por maiores que possam ser as implicações negativas no futuro.

 

Governos federal, estaduais e municipais controlam dispêndios com subsídios e transferências, por exemplo.

 

Respondendo por mais de dois terços do Produto Interno Bruto (PIB), o setor de serviços registrou queda em todos os meses de 2015, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE. Medidos pelo volume de serviços prestados e deflacionados por índices de preços específicos para cada setor de atividade, os serviços pesquisados caíram 3,5% em agosto comparativamente a agosto de 2014, 4,8% em setembro e 5,8% em outubro.

 

A queda acumulada até outubro foi de 3,1% e já é estimada em 6% até o fim de dezembro pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). O setor, assim, arrasta para baixo o PIB, cuja redução estimada já se aproxima dos 4%.

 

Alguns segmentos de serviços são afetados mais do que outros, caso dos serviços técnico-profissionais contratados por empresas, que caíram 9,6% no ano e 8,4% em 12 meses; do transporte terrestre, que diminuiu 9,9% no ano e 8% em 12 meses; e dos serviços de alojamento e alimentação oferecidos às famílias, com quedas, respectivamente, de 5,3% e 5,1%. Como exceções, os transportes aquaviário e aéreo cresceram nos últimos meses, embora em ritmo declinante.

 

Com a população de 205 milhões de habitantes e a vasta rede de proteção social oferecida pelo Estado, o setor de serviços continuará grande e poderá criar oportunidades. Mas, infelizmente, a um número menor de pessoas, pois a demanda não se sustenta com inflação elevada e salários e lucros em declínio.

 

O setor de serviços é o maior empregador de mão de obra do País e, com frequência, a última alternativa para quem está desempregado. Isso basta para medir o alto custo do seu desaquecimento.


 


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