Respiro em dólares - Por Celso Ming

05/11/2015 16:18

ESTADÃO 


O setor externo é dos poucos setores da economia brasileira que mostram sinais de ajuste

Enquanto o resto da economia afunda ou continua no marasmo, o setor externo (entrada e saída de moeda estrangeira no e do País) vai apresentando excelentes resultados. É dos poucos setores da economia que mostram sinais de ajuste.

A balança comercial (que registra exportações e importações) teve em outubro um saldo positivo de US$ 2,0 bilhões que, embora não surpreendente, foi superior à média das estimativas dos analistas do mercado. Os dez primeiros meses do ano acumularam um excelente superávit de US$ 12,2 bilhões.


Não dá para negar que esse resultado positivo é fruto de um quadro ruim. Foi a recessão que derrubou o consumo e as importações e, assim, virou o jogo perdedor do último ano. Isso fica mais claro quando se confere que, nos dez primeiros meses de 2015, a importação de bens de consumo caiu 16,5% sobre igual período de 2014. 

Também as exportações enfrentam retração do mercado global e forte queda dos preços das commodities. No período janeiro-outubro, caíram as exportações para todos os blocos econômicos (veja tabela no Confira). Os produtos básicos, que em 2014 pesaram quase 50% no faturamento total das vendas do Brasil, acusaram, nos dez primeiros meses deste ano, redução de 20,1%, o que dá boa ideia do impacto sobre a economia provocado pela baixa das commodities.

Outro jeito de avaliar como o comércio exterior passou a ser uma das respostas ao aperto é examinar o que produziu o saldo positivo. Ele é o resultado da queda muito maior das importações, de nada menos que 22,4% em relação a mesmo período do ano anterior. As exportações caíram menos, 15,2%. 

Com o recuo tanto das importações quanto das exportações, a corrente de comércio (que soma ambas) teve uma queda de 18,8%. Esse número sugere que o Brasil também perdeu participação no comércio global. Um fluxo comercial mais baixo é fator de aumento de custos. Mostram, por exemplo, transportes e instalações portuárias menos utilizados.

O dado negativo das importações de maior impacto na economia é a forte retração das entradas de bens de capital (máquinas e equipamentos). Queda de 18,2% no período, o que demonstra a fraqueza dos investimentos. E investimento fraquejante é produção também fraquejante no futuro.

Ainda não ficou visível o impacto sobre as exportações produzido pela alta do dólar em reais (desvalorização cambial) de mais de 50% no período de 12 meses. (O real mais desvalorizado barateia em dólares o produto exportado e, por isso, a longo prazo, tende a estimular as encomendas.)

As projeções do mercado para todo o ano de 2015, tal como medidas pela Pesquisa Focus do Banco Central, apontam para um saldo comercial positivo de R$ 14 bilhões. O Banco Central não espera mais do que R$ 12 bilhões. Ambas as projeções parecem excessivamente conservadoras. Mais provável é que fiquem entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões, o que seria um grande resultado para um ano econômico ruim, que apresentará queda do PIB de pelo menos 3% e inflação perto dos 10%.


Esta foi a queda das exportações e importações brasileiras por bloco econômico.


Setembro melhor

O desempenho da indústria vem sendo tão decepcionante que dados positivos merecem comemoração. É o que se pode dizer dos indicadores sobre faturamento divulgados nesta terça-feira pela Confederação Nacional da Indústria. Em setembro, acusaram avanço real de 1,2% sobre agosto.

 


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