Ricardo Lacerda - Entrevista

29/09/2015 09:13

Para o ex-presidente do Goldman Sachs no Brasil e do Citigroup na América Latina, Ricardo Lacerda, o ambiente de negócios vive o caos e os investidores estrangeiros estão perplexos com o governo.

A entrevista com Lacerda, que fundou seu banco de investimento, BR Partners, em 2009, fez mais de 90 operações, ultrapassando R$ 70 bilhões, foi publicada nesta terça-feira (29/9) no jornal Folha de S. Paulo.

Segundo ele, o rebaixamento por outras agências de risco é inevitável.

"A presidente e seu círculo mais próximo nunca abriram mão da condução da economia. O objetivo ao aceitar nomear Levy era apenas usar sua credibilidade para recuperar o apoio dos mercados", disse.

Em entrevista à “Folha”, ele diz que governo perdeu completamente a credibilidade e houve uma paralisação de gastos e investimentos. “Os empresários estão com medo de quebrar, e os trabalhadores, com medo de perder emprego. Esse sentimento negativo reverbera mundo afora e afeta nossa credibilidade com o investidor estrangeiro”, destaca.

Ele afirma ainda que o único elemento que pode tranquilizar investidores é a taxa de juros, com a Selic próxima a 20% ao ano. “Pagaremos caro por termos mantido juros artificialmente baixos por tanto tempo”, afirma.

Lacerda destacou que há “oportunidades enormes” na crise:

“Muitos bons ativos estão sendo negociados a preço de banana. É muito menos arriscado para um investidor estrangeiro entrar no país hoje, com o dólar a R$ 4 e a Bolsa a 45.000 pontos, do que há três anos, com o dólar a R$ 2 e a Bolsa a 75.000 pontos. Mas para que predomine a visão de que temos oportunidade, é preciso que os preços dos ativos se estabilizem. Entrar no Brasil com dólar a R$ 4 pode ser ótimo negócio, desde que não chegue a R$ 5 ou R$ 6 no curto prazo. Há hoje percepção de que o risco de descontrole da economia é real”, pondera.

Na entrevista, Lacerda disse que “no momento não há motivos técnicos para impeachment”: “Tudo leva a crer que a presidente é uma pessoa honrada. Mas, evidentemente, o impeachment tem dinâmica política, que já está em curso. A inépcia política da presidente e a relutância em buscar novos caminhos a coloca numa posição cada vez mais delicada. É possível que termine seu mandato, mas há o risco de isso acontecer sem que tenha apoio político ou popular e com economia em frangalhos”, diz.

 


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