Roberto Freire: A ‘maldição’ da Casa Civil, um reduto de falcatruas

13/01/2016 20:05

Diário do Poder

Eu não creio em bruxas, não acredito que elas existem. Mas quem tem fé na conspiração dos astros, nos orixás ou em qualquer entidade ou ser supremos capazes de traçar nossos destinos deve observar com atenção o que se passa entre as quatro paredes do gabinete da Casa Civil dos governos de Lula e Dilma Rousseff. Desde que o PT chegou ao poder, há mais de 13 anos, ali parece ser o centro irradiador da corrupção que tomou conta do Estado brasileiro – e, felizmente, quase todos os ministros que por ali passaram, flagrados em malfeitorias das mais diversas, perderam seus cargos. A bola da vez é Jaques Wagner, lulopetista graúdo enredado em revelações do submundo criminoso desvendado pela Operação Lava Jato.

 

Mensagens de telefone interceptadas pelos investigadores da força-tarefa que apura a roubalheira na Petrobras apontam que o ex-governador da Bahia e atual chefe da Casa Civil, já quase um primeiro-ministro de Dilma em vias de ser entronizado pela presidente da República como homem forte de seu governo, teria favorecido um dos empreiteiros condenados e presos por ter participado do esquema de corrupção na Petrobras. Há suspeita de que parte das conversas trate de doações para a campanha do PT à Prefeitura de Salvador, em 2012, financiadas com o dinheiro sujo do petrolão.

 

Assim, a lista de ministros da Casa Civil suspeitos ou já condenados pela prática de crimes se torna ainda mais robusta. Um rápido exercício de memória nos fará lembrar do mais célebre ocupante do posto, José Dirceu, então apontado por Lula como o “capitão do time” de seu primeiro governo e que hoje está em uma cela do Complexo Médico Penal de Pinhais, no Paraná, condenado por envolvimento no esquema da Petrobras. Antes disso, Dirceu já havia cumprido pena na penitenciária da Papuda, em Brasília, por outro escândalo marcante dos tempos de Lula, o mensalão.

 

A “maldição” da Casa Civil também atingiu Erenice Guerra, amiga de Dilma acusada de tráfico de influência. Na sequência, Antonio Palocci, que já havia protagonizado a indecente quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo ainda quando ocupava o Ministério da Fazenda, foi abalroado por suspeita de corrupção e enriquecimento ilícito.

 

O assalto à Petrobras foi contemplado pela Casa Civil, que mais se assemelha a um reduto de falcatruas, a partir da chegada de Gleisi Hoffmann ao ministério. A senadora petista, também muito próxima de Dilma, é suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, com base nas revelações feitas pelos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff. Após a queda de Gleisi, Dilma escolheu para o cargo Aloizio Mercadante, hoje ministro da Educação, que já havia sido envolvido no tenebroso episódio do “dossiê dos aloprados”, em 2006, uma sórdida, criminosa e fracassada tentativa de enlamear oposicionistas. Como se não bastasse tamanha desmoralização, hoje o ministro é alvo de inquérito pelo suposto recebimento de dinheiro ilícito em campanha eleitoral.

 

Não se pode esquecer, evidentemente, da própria Dilma Rousseff, que ocupou a Casa Civil do governo Lula e de lá foi alçada à condição de candidata à Presidência. Foi sob o comando da petista que o ministério preparou o famigerado dossiê contra Fernando Henrique e Ruth Cardoso, em um dos capítulos mais degradantes da história da República. Em outro episódio nebuloso, uma ex-secretária da Receita Federal contou ter sido pressionada por Dilma para arquivar uma investigação contra o filho de José Sarney, aliado do governo.

 

A Casa Civil, já quase transformada em casa mal assombrada dada a série infindável de escândalos de corrupção, é o retrato da degradação moral e da desfaçatez com que os lulopetistas agem em nome de um “projeto criminoso de poder”, como bem definiu o ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de um símbolo de uma era que, felizmente, está se aproximando do fim e não deixará saudades. Isolado politicamente e com muita dificuldade para evitar o andamento do processo de impeachment, o governo Dilma vive seus estertores. Que Jaques Wagner, afinal, seja a vítima derradeira da “maldição” da Casa Civil, é o que os brasileiros desejam, esperançosos de que este governo se encerre o quanto antes.

 

Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS

 

 


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