Terror em Paris: ataques causam mais de 150 mortos

14/11/2015 00:13

Terror volta a Paris: ataques causam mais de 150 mortos

 Cátia Simões - Económico Digital - Diário Económico - Lísboa - Portugal

Mais de 100 reféns foram libertados no sequestro do Teatro Bataclan, onde ha feridos portugueses. "Vamos ser extremamente duros na resposta", garantiu François Hollande à porta do teatro.

Paris foi na sexta-feira, 13 de Novembro, tomada de assalto por uma série de ataques terroristas, no que parece ter sido uma acção concertada com sete ataques em diferentes locais e que tiraram a vida a, pelo menos, 153 pessoas, segundo dados oficiais.

Cinco terroristas ligados ao ataque já foram "neutralizados", confirmou o procurador-geral francês mas ainda não houve qualquer reivindicação oficial deste atentado. A AFP diz que ainda há terroristas em fuga.

A contagem do número de mortos ainda deverá aumentar significativamente, segundo a polícia francesa.

O ataque com piores consequências foi no Teatro Bataclan, onde tocaram os norte-americanos Eagles of Death Metal. Vários terroristas entraram na sala com armas semi-automáticas e começaram a disparar sobre os espectadores, provocando pelo menos 112 mortos, segundo as informações dadas pelo ministro francês do interior.

Não há portugueses entre as vítimas mortais mas há alguns feridos portugueses entre os resgatados pela polícia.

As forças policiais francesas tomaram o teatro de assalto e conseguiram libertar mais de 100 reféns. Relatos de reféns libertados dão conta de que os presentes foram sendo executados um por um. Os dois terroristas que sequestraram o teatro foram mortos na acção de libertação. Pelo menos quatro policias foram mortos, segundo informações recolhidas pela CNN.

O presidente francês, François Hollande, afirmou, junto ao Bataclan, numa curta declaração, que "quando os terroristas conseguem fazer este tipo de atrocidades vamos ser extremamente duros na resposta. A França não se vai deixar impressionar".

Outro atentado, com suicidas bombistas, ocorreu junto ao Stade de France, nos arredores norte de Paris, onde decorria o jogo amigável entre França e Alemanha. François Hollande estava a assistir ao jogo e foi retirado do local, dirigindo-se para o Bataclan.

Os espectadores que assistiam ao jogo concentraram-se no relvado do estádio até serem encaminhados para a saída. 

Vídeos no Twitter mostram os espectadores a cantar o hino francês enquanto se dirigiram para as saídas. Este ataque provocou cinco mortos e 11 feridos graves, segundo a AFP. Relatos citados pela CNN dão conta de que, neste local, o ataque foi perpetuado por suicidas bombistas.

O primeiro ataque ocorreu por volta das 22h num restaurante no centro da cidade, onde entraram vários homens armados e começaram a disparar. Outro ataque deu-se num centro comercial.

 As fronteiras de França foram fechadas e Hollande decretou o estado de emergência e já chamou o exército a Paris. 1500 soldados estão mobilizados nas ruas de Paris. Um total de sete mil podem ser chamados rapidamente, fez saber o presidente francês.

Taxistas parisienses circulam com os taximetros desligados para levar as poucas pessoas que ainda estão na rua a casa. As luzes da Torre Eiffel foram apagadas em memória das vítimas.

Nova Iorque também está em estado de alerta e várias forças de segurança naquela cidade foram activadas. O FBI já emitiu um comunicado dizendo que está a acompanhar de perto a situação. O Empire State Building e o One World Trade Center estão com as cores de França. Também Wembley, em Londres, tem as cores da bandeira francesa. As ruas da capital britânica estão praticamente vazias.

As mensagens de pesar e de apoio multiplicam-se, vindas de vários países, incluindo de Portugal. 

A Federação das Organizações Islâmicas na Europa já condenou o ataque "o mais fortemente possível".

A ISIS está a celebrar no Twitter através de uma hashtag, segundo a CNN mas o ataque ainda não foi reivindicado oficialmente.

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O atentado de 7 de Janeiro - que fez 12 mortos e 11 feridos - foi a primeira execução terrorista de contornos jihadistas no espaço europeu. Três homens executaram os autores dos desenhos que parodiavam o Islão, o profeta Maomé e alguns chefes da jihad islâmica.

Entre os dez jornalistas mortos - a que somam ainda dois polícias - estava o director da publicação, Stéphane Charbonnier, que numa entrevista ao jornal El Mundo, aceitou ser fotografado com uma caricatura sua nas mãos, onde, ironia das ironias, se lia "Humor ou morte". 

 

[notícia actualizada às 2h02]