Terror em Paris - Por Jornal Público - Portugal

14/11/2015 01:22

Terror em Paris

Por Rita Siza – Jornal Público – Portugal

 

Várias dezenas de mortos, muitos feridos e uma situação caótica nas ruas de Paris, que ficou ontem à noite em estado de sítio em resultado de uma série de ataques, dos quais resultaram ainda reféns numa sala de espectáculos. Hollande encerrou as fronteiras e declarou o estado de emergência

 

O centro de Paris ficou em estado de sítio, ontem à noite, depois de uma série de ataques a tiro à porta de cafés, restaurantes e numa sala de espectáculos onde decorria um concerto. Os tiroteios fizeram pelo menos 43 mortos, um número que à hora de fecho desta edição – quando a situação de crise ainda decorria – era ainda provisório. Dados atualizados: 153 mortos. Número tende a aumentar.

 

Os ataques que terão decorrido em simultâneo exibiram o mesmo padrão: um ou mais homens, de cara destapada, saíram de viaturas que pararam à porta do restaurante “Le Belle Equipe”, na Rue de Charonne (próximo do canal Saint Martin), no 11.º bairro (arrondissement); do restaurante “Petit Cambodge” e bar “Le Carillon”; e junto à conhecida sala de espectáculos Le Bataclan, no Boulevard Voltaire, no 10.º bairro, e abriram fogo.

 

Testemunhas citadas pelos jornais franceses davam conta da aleatoriedade e violência dos atentados, que atingiram sete pontos distintos da capital francesa, dizendo que os atiradores disparavam para o ar ou varriam o espaço com tiros de metralhadora. Nalguns casos a barragem de fogo durou cinco minutos. Na sala de espectáculos, entre 60 a 100 pessoas que assistiam a um concerto foram feitas refém: essa situação ainda estava em curso à hora de fecho desta edição. Não era claro quantos atacantes se encontravam no interior, mas informações recolhidas no local apontavam para a existência de pelo menos um atacante munido de explosivos, que ameaçava matar toda a gente no interior.

 

Ao mesmo tempo, num dos sectores do Stade de France, onde decorria um jogo de preparação entre as selecções nacionais de futebol de França e da Alemanha, foram ouvidas três explosões 25 minutos depois do início da partida, que provocaram três mortos – um deles seria o bombista. A confirmar-se esta informação, será a primeira vez que acontece um atentado suicida em França. O Presidente da República, François Hollande, que assistia ao jogo, foi imediatamente transportado do local, que sob intensa vigilância policial foi mais tarde evacuado sem mais incidentes.

 

Hollande reuniu um gabinete de crise no Ministério do Interior, e juntou todo o Governo num Conselho de Ministros extraordinário. Numa curta declaração, o Presidente pediu calma à população de Paris e garantiu que foram accionados todos os meios para garantir a segurança, incluindo a mobilização do Exército. As fronteiras do país foram encerradas e declarado o estado de emergência.

 

Descrevendo a situação como “um horror”, o Presidente voltou a pedir aos franceses “compaixão, solidariedade e união”. “Face ao terror, a França deve ser forte e deve ser grande. Estes terroristas querem assustar-nos, mas vamos enfrentar o medo e mostrar que a nação sabe defender-se”, afirmou.

 

As autoridades pediram para toda a população ficar em casa e só sair à rua em caso de manifesta necessidade, até serem dadas novas instruções. Um primeiro contingente de 200 militares foi destacado para os dois bairros do centro de Paris onde decorria a situação de crise.

 

Os ataques, que aconteceram em simultâneo, não foram reivindicados – e as autoridades francesas não fizeram qualquer declaração durante a noite sobre a sua possível autoria. A cidade de Paris foi palco de violentos ataques em Janeiro, quando militantes islamistas atingiram o jornal satírico Charlie Hebdo, e um supermercado judaico, fazendo 17 mortos. De então para cá, já se registaram outros incidentes, o mais recente dos quais a 21 de Agosto a bordo do comboio rápido Thalys, que viajava entre Bruxelas e Paris.

 

Os relatos de testemunhas nos jornais franceses sugeriam uma ligação islamista para os atentados de ontem, dizendo que os atiradores gritaram “Allah akbar” (Deus é grande, em árabe) enquanto disparavam. Nas zonas dos ataques, vários moradores abriram as portas das suas casas para abrigar turistas e clientes de restaurantes e bares que ficaram perdidos nas ruas, depois de a circulação dos transportes públicos ter sido suspensa, e ofereceram apoio ao pessoal de emergência e forças de polícia.

 

O cenário no movimentado centro de Paris era “apocalíptico” para uma sexta-feira à noite, descreviam os jornais. Perante as luzes das ambulâncias e carros da polícia, tentava fazer-se a triagem dos feridos na rua, e dar assistência a centenas de pessoas em choque. “Começámos a ouvir o barulho de tiros, era um ruído interminável, como se fosse fogo de artifício”, contou Pierre Montfort, um morador vizinho do bar “Le Carillon” à AFP. “Havia sangue por todo o lado. Vi muita gente deitada ensanguentada, não sei se estavam feridos se estavam mortos”, descreveu um dos clientes do restaurante “Petit Cambojan” em frente.

 

 

 

 


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