Um país em recessão

29/08/2015 14:04

Editorial
Jornal Hoje em Dia

Um país em recessão

 

O que todo mundo já percebe no dia a dia foi confirmado ontem. O Brasil está andando para trás, conforme constata o relatório do IBGE sobre o desempenho da economia. O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas no país, caiu 1,9% no segundo trimestre. Como o resultado dos primeiros três meses do anos também havia sido negativo, de menos 0,7%, no jargão do “economês”, o país está, oficialmente, em recessão.

 

Segundo uma agência de análise internacional, o Brasil só não foi pior que a Rússia e a Ucrânia em um universo de 35 países. Na América Latina, Peru, México e Chile ) – que também constam da lista – foram superiores a nós, com 3%, 2,2% e 1,9%, respectivamente, de crescimento. Ou seja, nota-se mais uma falácia do governo federal, a de que o “mundo está em crise” e por isso o Brasil sofre com a retração econômica.

 

Segundo a projeção dos analistas, o país deverá fechar 2015 com um recuo de 2,2% no PIB. Não poderia ser diferente. Com um governo que não reduz seus gastos e não investe em obras de infraestrutura, não consegue segurar a inflação, colocou a taxa de juros em níveis estratosféricos, arrochou o crédito e ainda pensa em aumentar os impostos, só podia resultar no travamento da economia.

 

E o governo petista também poderá entrar para a história, de forma negativa, como o partido que propiciou ao Brasil dois anos seguidos de recessão – se forem confirmadas as previsões, 2016 também será de más notícias –, algo que não era visto desde 1930-31. Mas, como frisou o filósofo comunista Karl Marx, “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

 

Acontece que os dois anos seguidos de queda no PIB nos longínquos anos 30 foram uma decorrência da quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, que jogou todo o mundo em recessão. Evidentemente, no momento atual, não existe nenhuma tragédia parecida para o governo se justificar.

 

Empresários mineiros ouvidos pela reportagem são unânimes em dizer que a culpa por tudo isso é do poder central. Sustentam que o governo precisa fazer parcerias com a iniciativa privada para desatar a estagnação, além de, certamente, parar de gastar mais do que arrecada.

 

É esperar que o bom senso prevaleça antes que seja tarde.

 

Com um governo que não reduz gastos e não investe em infraestrutura, não segura a inflação, colocou os juros em nível estratosférico e ainda pensa em aumentar impostos, só podia resultar no travamento da economia