Acordo - Valdemar pode dar musculatura a Bolsonaro

24/05/2018 07:40

Bruno Boghossian: Acordo com Valdemar pode dar musculatura a campanha de Bolsonaro

- Folha de S. Paulo

 

Militar aceita jogar com cartas da política tradicional para obter apoio do PR

 

Abrigado em um partido nanico, Jair Bolsonaro (PSL) aceitou jogar com as cartas da política tradicional. O líder da corrida ao Planalto intensificou seus contatos com o PR do ex-deputado Valdemar Costa Neto em busca de musculatura partidária e tempo de TV para tornar sua candidatura mais competitiva.

 

Bolsonaro garante que não se sentou para negociar com o chefão do PR, condenado no mensalão por receber dinheiro para apoiar o governo Lula. Mas dois emissários do presidenciável do PSL estiveram com Valdemar na última semana para discutir uma possível aliança.

 

O acordo seduz o grupo do ex-capitão porque elevaria sua candidatura a um novo patamar, graças ao espaço do PR na televisão. Bolsonaro, nesse caso, pode ser convencido a amenizar seu discurso estridente contra a classe política e a corrupção.

 

Em um PSL mirrado, o presidenciável teria oito segundos em cada bloco da propaganda eleitoral —menos do que o folclórico Enéas teve na campanha de 1989. O PR pode catapultar esse tempo para 52 segundos. Bolsonaro ficaria atrás de boa parte de seus adversários, mas conseguiria chamar a atenção de mais eleitores.

 

Embora a aproximação esteja em fase inicial, as conversas ultrapassaram as bases do PR e chegaram à cúpula da legenda. Há poucos meses, o namoro se restringia à ala do partido ligada à bancada da bala.

 

Segundo dirigentes, Valdemar ainda resiste a preencher a vaga de vice de Bolsonaro com o senador Magno Malta (PR-ES), mas já enxerga benefícios em uma aliança mais discreta. Ele acredita que a sigla pode pegar carona na popularidade do ex-capitão para eleger deputados e ampliar sua bancada na Câmara de 41 para 50.

 

Em 1994, Valdemar enterrou a candidatura de Flávio Rocha ao Planalto no meio da campanha para apoiar Fernando Henrique Cardoso. Quatro anos depois, irritado com a falta de cargos no governo, aliou-se a Ciro Gomes. Derrotado, voltou à base de FHC, mas rompeu de novo em 2002 para indicar o vice de Lula, José Alencar. O dono do PR é pragmático.

 


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