Artigo: Deus me salvou através da hospitalidade

16/11/2018 14:16

Compartilhe a Chave da Sua Casa para Ganhar Seus Vizinhos

Por Tilly Dillehay - Traduzido por João Pedro Cavani

Deus me salvou através da hospitalidade.

Para ser mais preciso, Deus usou crucialmente a hospitalidade em sua busca pela minha alma. Depois de anos de contenda entre meu agnosticismo e meu anseio por Deus – uma contenda que havia ocorrido em salas de conferências, bibliotecas, salas de aula, quartos, lojas de bebidas e clubes – os argumentos que levaram a um veredito aconteceram em um local inesperado: a casa de uma família cristã.

Um pastor e sua esposa, amigos dos meus pais, me convidaram para passar um tempo em sua casa com eles. Pelas manhãs, me encontrava com o pastor e expunha minhas queixas para com Deus e o cristianismo. As passagens da Bíblia e os comentários que ele apresentou para mim, foram vitais para o que Deus fez em meu coração naquelas semanas.

Mas tão vital quanto estes materiais, foi a evidência que sua esposa trouxe ao debate. A evidência dela foi muitas vezes sem palavras: um tempo à tarde para tomar chá comigo ou dar um passeio; lençóis limpos no quarto que eu dividia com uma de suas filhas; uma calma cultivada em uma casa cheia de crianças e adolescentes; um abraço dado livremente com um beijo na bochecha.

As palavras foram necessárias. Mas a hospitalidade deu contexto e peso às palavras.

O que Deus usou para atrair até ele uma incrédula radical e comprometida? Deus a levou a uma cruzada evangelística? Ou, visto que ela tinha doutorado em literatura, usou algo impresso? Não, Deus usou um convite para jantar em uma casa modesta, de um casal humilde, que vivia o evangelho diariamente, de forma simples e autêntica.

Com esta história de sua conversão como pano de fundo, Rosaria Butterfield nos convida para sua casa para nos mostrar como Deus pode usar esta mesma “hospitalidade radical e comum” para levar o evangelho aos nossos amigos e vizinhos perdidos.

Hospitalidade “Radicalmente Comum”

Quando peguei o novo livro de Rosaria Butterfield, “The Gospel Comes with a House Key: Practicing Radically Ordinary Hospitality in our Post-Christian World” [O Evangelho Vem com uma Chave de Casa: Praticando a Hospitalidade Radicalmente Comum em nosso Mundo Pós-Cristão], fui transportada a oito anos atrás e fiquei fascinada com a percepção de que Butterfield e eu temos isso em comum: a hospitalidade foi um meio crucial que o Senhor usou para nos salvar.

Eu me pergunto: quantos milhões de outros seguidores de Cristo têm uma história semelhante para contar? Me pergunto também: quantos deles, então, foram e praticaram o tipo de hospitalidade que os trouxe ao evangelho?

Muitos leitores se lembrarão da história da conversão via mesa de jantar de Butterfield em seu primeiro livro, “The Secret Thoughts of an Unlikely Convert” [Os Pensamentos Secretos de Uma Convertida Improvável]. Mas essa história é apenas uma ilustração de muitas em sua obra mais recente. O Evangelho Vem com uma Chave de Casa” é não só uma teologia da hospitalidade mas também um manual prático de “como fazer”, em forma de histórias.

Muitas das histórias são de experiências de Rosaria Butterfield desde sua conversão. Ela e o marido se comprometeram profundamente com a prática diária de “hospitalidade radicalmente comum” que ela considera obrigatória para qualquer pessoa que leva o nome de Cristo.

Direito de Falar

Butterfield é dura com os evangélicos americanos. Não tem papas na língua:

Os cristãos são vítimas deste mundo pós-cristão? Não… Nossos corações frios e duros; nosso falta de amor ao forasteiro; nosso egoísmo com nosso dinheiro, tempo e lares; e nossas costas privilegiadas voltadas contra viúvas, órfãos, prisioneiros e refugiados querem dizer que somos culpados diante da face de Deus por reter o amor e o testemunho cristão… Nossa própria conduta condena nosso testemunho a este mundo. Que vergonha para nós. (p.61)

Os cristãos devem ter as portas abertas, e devemos ser táticos a respeito de construir relacionamentos em tempo real com pessoas reais nas casas vizinhas às nossas. Não é só que isso não é opcional; fazer o contrário destrói ativamente nosso testemunho. Butterfield coloca a responsabilidade moral diretamente nos ​​ombros de cristãos confortáveis – pode ser que tenhamos medo ou que estejamos inseguros, mas somos totalmente culpáveis.

Este tipo de linguagem pode parecer excessivo, até nos lembrarmos das palavras de nosso Senhor em Mateus 25.41-46, especialmente estas:

Apartai-vos de mim… Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me. (v. 41-43)

As descrições detalhadas de Butterfield sobre sua própria hospitalidade permitem que saibamos que, por mais fortes que sejam as palavras, ela tem a experiência para apoiá-las.

Uma cristã hospitaleira que foi convertida por meio da hospitalidade ganhou o direito de exortar a outros cristãos.

Amar o Forasteiro

“Chave de Casa” não é primariamente uma acusação; é um convite compassivo. A imagem prática que Butterfield pinta dá uma sensação de “eu posso fazer isso também” e uma sensação de que isto pode ser feito em qualquer espaço – seja num quarto de dormitório ou numa casa de cinco quartos de dormir. Será necessário planejar, ter intencionalidade e eliminar itens de nossas agendas para criar margens de tempo e dinheiro. Mas não vai exigir nada além daquilo que já temos em Cristo.

Butterfield conta a história da adoção de filhos adolescentes como forma de acolher o forasteiro. Ela conta a história do relacionamento de sua família com Hank, seu vizinho do outro lado da rua, que resistiu a suas aberturas por um ano e que acabou sendo preso por preparar metanfetamina ali mesmo na vizinhança – mas que mais tarde foi convertido em meio a contínuas visitas deles na prisão. Ela conta a história de quando sua mãe ateia veio morar com eles, trazendo estresse, torpeza e julgamento – e inesperadamente se convertendo em seu leito de morte anos depois.

Essas histórias soam quase banais, mas Butterfield as conta com abertura total sobre suas próprias atitudes ruins e momentos sem fé. E junto com algumas das histórias mais confusas – da difícil infância de Butterfield, por exemplo, ou de dois casos recentes e dolorosos de disciplina na igreja do marido – lembramos que nunca podemos verdadeiramente isolar nossas vidas das trevas.

Ao invés de nos escondermos, devemos nos equipar com as armas espirituais que temos em Cristo. E, às vezes, com panelas de sopa e sofás-cama.

Ortodoxia Compassiva

Uma das coisas mais ricas sobre a escrita de Butterfield é a nuance. Ela ataca fortemente a tendência de cristãos de se protegerem contra idéias e visões de mundo que os ofendem. Mas ela também é implacável em sua postura sobre o pecado e o pecador. A melhor maneira de amarmos as pessoas é apresentá-las a Deus como ele é, diz ela, e permitir que sua Palavra fale a cada questão de suas vidas (e das nossas).

Ela oferece pensamentos úteis sobre caminhar nesta vereda de amor e verdade – conclamando os crentes a aceitarem a realidade de vida de nossos vizinhos, sem no entanto crer que reconhecer estas partes de suas vidas significa aprovar o pecado que está por trás delas. Por exemplo, quando ela ama seus vizinhos gays, ela se certifica de entender a dinâmica desta família:

Eu me lembro dos nomes certos para não confundir as crianças criadas em lares LGBT. Eu sei quem é “Mãe” e quem é “Mamãe”, e também ensino meus filhos a usar os termos certos . . . . Eu me pergunto: fiz com que eles se sintam seguros para compartilhar as dificuldades reais do seu dia-a-dia, ou ainda estou tão sobrecarregada. . . que nem consigo ver as adagas nas minhas mãos? (p.53–54)

Ver nossos vizinhos como pessoas inteiras, e não apenas caricaturas, permite que participemos de cenas como as seguintes:

Quando uma vizinha a quem amo confessa em prantos que seu parceiro a acha feia e zomba dela, eu posso me mover suavemente, com mãos calorosas, canecas fumegantes de café forte e contato visual completo, dizendo apenas isto: Jesus nunca a trataria assim. Jesus ama suas filhas perfeitamente. (p.54)

“Envolver-se na hospitalidade radicalmente comum significa que investimos o tempo suficiente para construir relacionamentos fortes com pessoas que pensam de maneira diferente de nós, além de construir relacionamentos fortes dentro da família de Deus”, ela escreve em seu prefácio. “Isso quer dizer que sabemos que apenas hipócritas e covardes deixam que suas palavras sejam mais fortes do que seus relacionamentos, realizando ataques sorrateiros à cultura nas mídias sociais ou se comportando como pedantes sociais moralizantes na vizinhança” (p.13).

Dê o Seu… Lar

A hospitalidade radicalmente comum não é apenas aquilo que nos abre as portas para sermos ouvidos por pessoas que necessitam ouvir o evangelho. É o que nos ensina a nos expressar, à medida que cada vez mais temos mais pessoas que testemunham nossa vida familiar:

Por não estarmos sozinhos, por termos escolhido a companhia de pessoas sofredoras, que têm a chave de nossa casa, não iremos baixar nossa guarda. Seus filhos vão aprender como viver e compartilhar o evangelho com fluência e como amá-lo diante de um mundo que está assistindo. (p.116)

Esta não é apenas uma imagem agradável do ministério adicional com o qual podemos nos envolver em nossos anos de aposentadoria. É uma imagem do tipo de estilo de vida para o qual todo cristão é chamado – lembrando que sem esta doação sacrificial do lar, muitos de nós mesmos nunca teríamos encontrado a Cristo.

 

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