Bispos chineses: aqui há uma única fé da Igreja

13/10/2018 17:08

Bispos chineses no Sínodo: aqui há uma única fé da Igreja, somos uma grande família

Bispos chineses com o Papa Francisco durante a Congregação Geral

Em entrevista concedida à Rádio Vaticano - Vatican News, os dois bispos da China Continental John Yang Xiaoting e Joseph Guo Jincai, expressam a sua alegria por poderem participar pela primeira vez em uma Assembleia Sinodal.

Cidade do Vaticano

Em uma entrevista à Rádio Vaticano-Vatican News, os dois bispos da China continental, John Yang Xiaoting e Joseph Guo Jincai, expressaram sua alegria por estarem presentes pela primeira vez em uma assembléia sinodal.

A alegria de pode participar de um Sínodo, pela primeira vez, a recepção calorosa e a consciência de fazer parte de uma grande família, a da Igreja, são alguns dos sentimentos expressos pelos dois bispos da China continental John Baptist Yang Xiaoting e Joseph Guo Jincai em ocasião de uma entrevista concedida em 12 de outubro, à redação chinesa da Rádio Vaticano - Vatican News no Palazzo Pio. Os dois bispos relataram sua experiência sinodal e descreveram a atividade pastoral de suas dioceses.

Excelências, vocês poderiam expressar seus sentimentos por sua presença no Vaticano para este Sínodo sobre os jovens, a fé e o discernimento vocacional?

Dom Joseph Guo Jincai: Como bispo chinês, estou feliz em participar do Sínodo pela primeira vez. Sentimos que a Igreja é uma família e recebemos uma recepção calorosa. Juntamente com o Papa, os cardeais e os bispos de todo o mundo, falamos sobre os problemas relativos aos jovens, o discernimento das vocações e como enfrentar os desafios do nosso tempo. Nós sentimos que aqui há a única fé da Igreja e que somos uma grande família. Nós compartilhamos nossas reflexões com outros bispos e discutimos as questões atuais que devemos enfrentar.

Dom John Yang: Concordo com Dom Guo. Eu tenho o mesmo sentimento a esse respeito. Este Sínodo é feito para os jovens de todo o mundo. Para os jovens chineses, este Sínodo é muito atual e os temas que foram discutidos são o que precisamos para a formação vocacional e são como um guia. Para nós este Sínodo é muito significativo, uma boa experiência.

Vocês poderiam nos falar sobre a realidade vocacional dos jovens chineses, o acompanhamento da vocação e da formação?

Dom Joseph Yang: Desde 2002 trabalho com a formação no seminário, ao qual dedico grande parte do meu tempo. Para a formação e o discernimento, penso que os problemas encontrados são semelhantes aos de outros países do mundo. Para o discernimento das vocações, trabalhamos na formação, no catecismo, na importância do conceito de vocação, que não é somente para os consagrados, mas também para os leigos. No discernimento, começamos de um trabalho pastoral, para que os jovens possam olhar para sua própria vocação sob diferentes pontos de vista. Nas dioceses mais preparadas há o Comitê para as Vocações e a Pastoral Juvenil, que oferecem acompanhamento em diversos aspectos da vida.

Falando de vocações religiosas, há projetos para ajudar os jovens a discernir?

Dom John Yang: Como eu dizia, nas dioceses mais preparadas há o Comitê para as vocações e os jovens são acompanhados por sacerdotes quer na formação como na fé, assim como no crescimento humano. Esses projetos começaram há mais de uma década na Igreja na China. Convocamos os seminários importantes, lançamos projetos e discutimos sobre como lidar com os atuais desafios e desenvolvimentos no futuro.

O casamento também é uma vocação. Para os jovens que pretendem seguir essa vocação, suas dioceses têm projetos de formação ou acompanhamento?

Dom Joseph Guo Jincai: Sob a orientação dos bispos, dioceses e em cada paróquia temos os Departamentos de acompanhamento especialmente para os jovens casados ​​e aqueles que estão se preparando para o casamento, oferecendo-lhes cuidados pastorais. A Exortação "Amoris laetitia" expressou o amor do Papa Francisco pelos jovens e pelas famílias. Creio que isso seja importante para todas as famílias, porque cada família recebe o chamado de Deus. Cada família e a vocação da família estão ligadas ao crescimento da Igreja e ao serviço da sociedade. Portanto, a estabilidade da família trará o bem para toda a sociedade. Devemos rezar pelas famílias e por esta vocação, para que com a fé possam ser guardadas as promessas matrimoniais e continuem a seguir este chamado de Deus, para isso rezamos pelos jovens e pelas famílias.

Dom John Yang: Nas diversas dioceses na China continental são realizadas diversas atividades  em favor do casamento e da família. Cada diocese, de acordo com suas próprias exigências, oferece uma formação pré-matrimonial e durante o casamento. Algumas dioceses, mais preparadas ou que dispõe de recursos, ajudam as paróquias a oferecer cursos para os jovens, sempre sob a orientação do Comitê Pastoral. Algumas dioceses têm seu próprio centro, com cursos regulares ou de curta duração, também têm um treinamento sobre ética matrimonial que ajuda muito os jovens na vida conjugal.

Qual tema do Sínodo você mais impressionou vocês?

Dom Joseph Guo Jincai: A palavra que todos nós temos dado importância e que permaneceu em mim: vocação. Mas qual é a vocação? A vocação é o chamado de Deus, Deus chama cada pessoa, porque cada um de nós é criado por Ele. Agora sentimos que a nossa tarefa é ainda mais difícil no tema da vocação dos jovens. Somos chamados a proclamar o Evangelho, a fortalecer nossa fé e a servir nossa sociedade, dando nossa contribuição ao país. Esperamos também que com a vocação possamos levar a paz ao mundo.

Dom John Yang: O tema deste Sínodo, a fé e o discernimento vocacional, é muito interessante, significativo e atual para a Igreja de hoje. A Igreja fala hoje dos problemas que devemos enfrentar, de como ajudar os jovens a viver a sua fé e encontrar os verdadeiros valores em suas vidas. Esta é uma das discussões mais importantes. Neste tema, temos visto dificuldades e desafios em outros países do mundo. Na realidade, este Sínodo ajuda-nos a compreender como podemos acompanhar os jovens no trabalho pastoral, como ajudá-los a testemunhar a sua fé seguindo a sua vocação.

Neste Sínodo, falou-se muitas vezes de uma palavra chave: "escutar", ou seja, escutar e acompanhar, ouvir a voz dos jovens. Quais são seus pensamentos sobre isso?

Dom Joseph Guo Jincai: Eu compartilhei minha reflexão no Círculo Menor em francês, junto com cardeais e bispos de diferentes nacionalidades. De fato, quando falamos juntos, isso já é escutar, ou seja, ouvir as vozes dos jovens vindos de diferentes nações, e escutar também significa acompanhar. Escutar permite que os jovens já não se sintam mais sozinhos, já não são mais sem esperança quando têm dificuldades, porque a Igreja sempre será sua família e os acompanhará para sempre.

Dom John Yang: Desde o início, neste Sínodo, tanto nas Congregações Gerais como nos Círculos Menores, há muitos que falam, também jovens e leigos. E para refletir sobre seus discursos, até mesmo os dos cardeais e bispos, para mim também é escutar. Por isso, a palavra escutar é realmente concretizada neste Sínodo.

O que vocês gostariam de dizer aos jovens e aos católicos chineses?

Dom Joseph Guo Jincai: Jovens irmãos na fé, o nosso propósito mais sentido neste Sínodo é justamente o de ouvir as vozes dos jovens em diferentes situações, também  a dos jovens chineses. Nós rezamos por vocês e vamos acompanhá-los, ouvindo suas necessidades. Ajudar-vos-emos com o cuidado pastoral, como Jesus ressuscitado escutava e acompanhava os dois jovens no caminho de Emaús. Que Deus cuide de vocês!

Dom John Yang: Acho que neste momento os jovens e os católicos querem saber que inspiração lhes poderia advir deste Sínodo. Eles aguardam uma mensagem alegre. Eu gostaria de compartilhar meu desejo com os jovens na China continental. Este Sínodo é para jovens de todo o mundo e também para jovens chineses. Aqui se fala de acompanhamento, de buscar resolver os problemas dos jovens, da orientação para os jovens na fé. Eu gostaria de dizer a vocês: a Igreja precisa de jovens, a Igreja ama os jovens e, acima de tudo, vê que os jovens são o futuro da Igreja. O Senhor ama os jovens, a Igreja ama os jovens, nós, bispos, amamos os jovens.

 


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