Gigantes mostram suas armas para a presidencial

13/07/2018 11:18
Gigantes mostram suas armas para a campanha presidencial
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Por Raymundo Costa | Valor Econômico
 
BRASÍLIA - A campanha eleitoral deste ano será mais curta e sem financiamento empresarial, o que pode favorecer as grandes estruturas partidárias. Essa é a principal aposta de gigantes como o PSDB e o MDB, cujos candidatos, Geraldo Alckmin e Henrique Meirelles, patinam na faixa de um dígito nas pesquisas de intenção de voto ao Palácio do Planalto. Por outro lado, a fase que agora começa com a temporada das convenções é um desafio para pequenos como o Rede Sustentabilidade de Marina Silva, que têm poucos recursos financeiros, base partidária acanhada e está ameaçado de ficar invisível no horário eleitoral gratuito.
 
Em política, nem sempre tamanho é documento. O MDB perdeu as sete eleições diretas para a Presidência do período pós-64, apesar de ostentar a maior máquina de guerra, desde a redemocratização do país. Em 2018 não é diferente. A sigla hoje no governo é de longe a mais poderosa: cinco governadores, 20 senadores, 1046 prefeitos, 59 deputados federais, 142 deputados estaduais e 7557 vereadores espalhados por todo o país. Mas seu pré-candidato é um dos que até agora não conseguiram romper a marca do 1% nas pesquisas.
 
Ex-ministro, Henrique Meirelles conta com esse poderio para se mover nas pesquisas antes de 4 de agosto, data da convenção do MDB para a escolha definitiva do candidato. Meirelles está com meia candidatura andada, mas sabe que a cúpula do MDB e do governo pretende jogar até o último minuto para uma composição do chamado centro político. Por isso o ex-ministro se empenha em conquistar as bases que fazem do MDB o partido com maior capilaridade nacional. Desde que se apresentou como pré-candidato, o ex-ministro já visitou 15 Estados. Se conseguir mais três ou quatro pontos nas pesquisas, dificilmente o MDB vai tirar Meirelles da disputa.
 
Os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia) gabam-se de o grupo que atualmente comanda os destinos do MDB nunca ter perdido uma convenção. O grupo em questão é chefiado pelo presidente Michel Temer, há mais de uma década e meia na presidência do MDB. Temer inicialmente pensou em se candidatar à reeleição, mas recuou diante do baixo índice de aprovação de seu governo e do cerco movido contra ele pela Polícia Federal e a Justiça. O presidente é investigado por supostamente ter beneficiado empresas na área do Porto de Santos (SP).
 
Perdido na sucessão, o Palácio do Planalto também se engajou com tucanos insatisfeitos com a candidatura de Geraldo Alckmin pelo PSDB, a fim de facilitar uma composição entre as duas siglas. Temer está ressentido com Alckmin, que liberou o PSDB para votar duas vezes pela abertura de processo contra o presidente. Alckmin por seu turno não quer Temer a seu lado no palanque. Associadas, as duas legendas poderiam formar um super exército, pois os tucanos só perdem em estrutura e recursos para o MDB.
 
As falanges tucanas têm quatro governadores, 11 senadores, 805 prefeitos, 46 deputados federais, 97 deputados estaduais e 5360 vereadores, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sistematizados pela empresa de consultoria política Arko Advice. Sozinho, o PSDB tem 73 segundos de tempo de rádio e televisão, perde apenas para o PT, que tem 92 segundos, e o MDB com 88 segundos. Candidato à moda antiga, Alckmin joga mais fichas no horário eleitoral gratuito do que nas redes sociais para crescer e sair da incomoda situação em que se encontra nas pesquisas. Para o ex-governador de São Paulo, sem televisão ninguém teria chance em outubro.
 
O terceiro grande é o PT com cinco governadores, nove senadores, 255 prefeitos, 57 deputados federais, 108 deputados estaduais e 2809 vereadores. Maior derrotado na eleição municipal de 2016, com seu líder máximo preso por corrupção, o desafio do PT é manter de pé a estrutura que construiu ao longo dos últimos anos. Curiosamente, é o partido que lidera as pesquisas de intenção de voto para presidente da República, embora seja improvável que Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba, venha a ser o candidato.
 
Estima-se que Lula pode transferir cerca de 12% de seus votos a outro nome do PT, mas os nomes testados nas pesquisas Datafolha estão na faixa dos dois por cento. Embora não reconheça publicamente, o grande objetivo do PT nesta eleição será eleger a maior bancada possível de deputados federais, a fim de conseguir uma boa fatia do bolo de recursos públicos e tempo de TV para se manter no jogo e chegar competitivo na eleição de 2022.
 
Graças à bancada que elegeu em 2014, o PT é dono do maior tempo de TV e do segundo maior volume de recursos financeiros públicos: R$ 313,3 milhões de reais, sendo R$ 101 milhões do fundo partidário e R$ 212 milhões do fundo eleitoral. O MDB é o primeiro, com R$ 317 milhões de fundos públicos, e o PSDB, o terceiro, com R$ 217 milhões disponíveis para gastar em 2018. Dinheiro, capilaridade e tempo de TV são as armas que podem fazer a diferença a partir de agora, até porque é grande a diferença entre os gigantes e os pequenos partidos que lideram as pesquisas para a Presidência, quando Lula é deixado de fora.
 
O PSL, partido do líder das pesquisas, Jair Bolsonaro, vai à guerra com 30 prefeitos, três deputados federais, 17 deputados estaduais e 876 vereadores. Em matéria de recursos, tem R$ 15 milhões, uma fração do que dispõem PMDB, PT e PSDB. O Rede de Marina Silva tem apenas um senador, dois deputados federais, nenhum estadual e 178 prefeitos. Ciro Gomes, pré-candidato do PDT, terceiro nas pesquisas, está em situação bem melhor: dois governadores, três senadores, 330 prefeitos, 21 deputados federais, 60 deputados estaduais e 3764 vereadores. É também quem conta mais dinheiro - R$ 88 milhões contra R$ 15 milhões do Rede de Marina.
 
Frente a MDB, PT e PSDB, os partidos dos líderes das pesquisas podem ser chamado de nanicos. O tempo de TV de cada um deles é quase nada: O PDT de Ciro tem 28 segundos, o PSL de Bolsonaro três segundos e o Rede de Marina, dois segundos. Daí as articulações frenéticas em torno de alianças partidárias, tanto entre os grandes, para ampliar a diferença de forças, como dos pequenos, para tentar diminuí-la. Desde 1989 apenas uma vez um partido pequeno venceu, o PRN de Fernando Collor. As seis eleições subsequentes foram vencidas por PT ou PSDB. As prévias eleitorais, por enquanto, sugerem que a sequência dos gigantes pode uma vez mais ser quebrada.
 
 

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