Lula ataca o presidente do tribunal em Porto Alegre

17/01/2018 08:35
Em discurso, Lula ataca o presidente do tribunal que julgará o ex-presidente em Porto Alegre
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O ex-presidente Lula usou parte de seu discurso em um evento no Rio de Janeiro, na noite de terça-feira (16), para atacar o desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, presidente do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), que julgará o petista em segunda instância no dia 24 deste mês.
 
Lula disse que Flores é bisneto do coronel que ordenou a invasão de Canudos, na Bahia, no final do século 19, e que resultou na morte do líder local Antônio Conselheiro. “Esse cidadão é bisneto do general que invadiu Canudos e matou Antônio Conselheiro. Talvez ele ache que eu seja cidadão de Canudos”, disse Lula.
 
Segundo o site do TRF-4, o desembargador é trineto do coronel Tomás Thompson Flores, que teve atuação destacada na Guerra dos Canudos, quando foi o comandante de uma das tropas do Exército Brasileiro enviada para o interior da Bahia.
 
O presidenciável discursou em um evento organizado em apoio à permanência de sua candidatura à Presidência, no teatro Oi Casagrande, no Leblon, na Zona Sul do Rio. Lula falou a uma plateia de artistas e intelectuais. O teatro, com 976 lugares, estava lotado. A menção a Flores ocorreu depois que Lula disse que não faria críticas aos juízes de Porto Alegre, justamente porque não os conhecia. O ex-presidente disse achar estranho que, em seis dias, Flores tenha alegado ter conseguido ler todas as páginas do processo.
 
“Eu acho estranho um juiz dizer que não leu a sentença do Moro, mas dizer acreditar que ela é irretocável”, disse. Lula criticou ainda o juiz Sérgio Moro, que o condenou por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, no caso do triplex em Guarujá (SP), a seis anos e seis meses de prisão. Também direcionou críticas aos procuradores e delegados da Lava-Jato que atuaram especificamente nas investigações do inquérito que o ex-presidente faz parte. Ele chegou a dizer que eles mereceriam ser exonerados.
 
Lula também aproveitou para criticar a imprensa e a chamada elite brasileira que, segundo ele, teria proporcionado o que o petista considerou como golpe contra a presidente Dilma Rousseff. Ele aproveitou para criticar o deputado Jair Bolsonaro (PSC), que está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto. Segundo Lula, depois de incitar a oposição contra Lula e Dilma, a imprensa teria criado o ambiente para o surgimento da candidatura de Bolsonaro.
 
“Será que depois que eles extirparam os ‘tumores’ que eram eu e Dilma eles não pensaram que ia surgir uma coisa como o Bolsonaro?”, questionou. Lula comentou as reportagens sobre Bolsonaro. “O Bolsonaro vai agora comer o pão que o diabo amassou. A mídia vai fazer com ele o que tentou fazer comigo durante anos sem encontrar nada”, afirmou.
 
Entre os atores presentes estavam Osmar Prado, Herson Capri, Bete Mendes, Cristina Pereira, Tonico Pereira, Gregório Duvivier, Dira Paes, Chico Dias e Mônica Martelli. O ator Antônio Pitanga foi acompanhado de sua mulher, a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ).
 
Também participaram do evento os sambistas Noca da Portela e Beth Carvalho, que compareceu de cadeira de rodas em razão de um problema de saúde. A escritora Conceição Evaristo, a filósofa Márcia Tiburi e o escritor Eric Nepomuceno também compareceram.
 
O coordenador-geral do MTST Guilherme Boulos, o produtor de cinema Luiz Carlos Barreto e diretor teatral Aderbal Freire Filho estiveram no evento, assim como o ex-prefeito do Rio Saturnino Braga. O ex-ministro Celso Amorim foi ovacionado pela plateia que cantou “Eô eô, Amorim governador”, em um sinal de que haveria apoio a uma eventual candidatura do ex-chanceler para o governo do Estado do Rio.
 
A informação é do Jornal O Sul - Rede Pampa de Comunicação
 

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