Polícia acredita em execução de vereadora

16/03/2018 09:04
Polícia acredita em execução de vereadora; atos reúnem multidões
Marielle Franco havia denunciado supostos crimes cometidos por PMs; ataque desafia intervenção federal, que completa 1 mês
 
- O Estado de S. Paulo.
 
A Polícia Civil do Rio investiga a hipótese de execução para o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), anteontem à noite no centro do Rio. Ela estava com o motorista Anderson Gomes, também morto no ataque, e uma assessora, que prestou depoimento à polícia. Eles foram enterrados ontem. Criada na Maré, Marielle tinha 38 anos, era ativista dos direitos humanos e estava no primeiro mandato. No sábado, ela denunciou nas redes sociais supostos crimes que teriam sido cometidos por PMs do 41.º Batalhão na favela de Acari. A unidade é considerada a que mais mata no Rio. A ação dos criminosos é vista como uma afronta à intervenção federal no Estado, que completa um mês hoje sem resultados expressivos. O assassinato de Marielle mobilizou multidões, que foram às ruas em diversas cidades, e autoridades. O ministro da Segurança, Raul Jungmann, afirmou que a PF vai auxiliar nas investigações. O presidente Michel Temer disse que o crime é “inaceitável”. Houve manifestações dos ministros do STF e na Câmara dos Deputados.
 
Mataram a minha mãe e mais 46 mil eleitores. Nós seremos resistência porque você foi luta.”
LUYARA SANTOS, FILHA DE MARIELLE
 
Episódio triste e lamentável, o assassinato de uma representante do povo resulta de anos de política de segurança equivocada. ”
CLAUDIO LAMACHIA, PRES. DA OAB
 
A Polícia Civil do Rio trabalha com a hipótese de execução para a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), ocorrida na noite de anteontem, na região central do Rio. Ontem, uma multidão foi às ruas no Rio e em capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Recife para cobrar justiça, e houve forte mobilização nas redes sociais. Ativista de direitos humanos, Marielle, de 38 anos, levou quatro tiros quando voltava de uma reunião, acompanhada pelo motorista Anderson Pedro Gomes, de 39 anos, e uma assessora parlamentar. Gomes também morreu.
 
A direção dos disparos contra o carro, para investigadores, é um dos indícios de que houve ataque premeditado. Embora os vidros do veículo de Marielle estivessem cobertos por película escura, os assassinos pareciam saber o local exato onde ela estava sentada. A vereadora foi atingida por três tiros na cabeça e um no pescoço.
 
Milhares de pessoas se reuniram ao redor da Câmara Municipal, no centro do Rio, local do velório de Marielle e Gomes. Alguns manifestantes pintaram o nome da vereadora no corpo; outros exibiram cartazes com a foto da parlamentar. Muitos choravam e se abraçavam.
 
Ela foi enterrada no cemitério São Francisco Xavier, no Caju, após breve cerimônia religiosa. Líderes de movimentos sociais e políticos acompanharam o funeral. À noite, houve novo ato pacífico na Cinelândia.
 
Na capital paulista, a manifestação começou no fim da tarde. Toda a pista da Avenida Paulista no sentido da Rua da Consolação foi interditada a partir do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Em Salvador, participantes do Fórum Social Mundial saíram em passeata nas ruas. Em todas as cidades, os manifestantes pediram justiça e carregavam cartazes com a frase “Marielle, presente”.
 
No início da tarde, a morte de Marielle era o assunto mais comentado no Twitter, com 289 mil tuítes sobre o crime. Jornais como o inglês The Guardian, o americano The New York Times e o francês Le Monde trataram do ataque.
 
O crime também colocou o País sob pressão da Organização das Nações Unidas (ONU) e da comunidade internacional. Entidades de direitos humanos exigiram resposta rápida do governo. O partido espanhol Podemos pediu à Comissão Europeia que suspenda as negociações comerciais com o Brasil para fechar um acordo de livre comércio com o Mercosul.
 
O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que a Polícia Federal vai ajudar na apuração do caso, mas as investigações seguirão sob comando da Polícia Civil. “Quem cometeu esse bárbaro crime não ficará impune.” O presidente Michel Temer chamou o crime de “inaceitável”, “como todos os demais assassinatos” no Rio.
 
 

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