Presidenciáveis na BAND já devem exibir posições

09/08/2018 17:08

ELEIÇÕES 2018

Debates dos presidenciáveis na TV já devem exibir clima de ‘mata-mata’

Em uma campanha curta, os candidatos devem assumir posições e fazer xingamentos na disputa por eleitores de perfil semelhante; meta é se credenciar ao segundo turno com discurso de centro

ABNOR GONDIM • BRASÍLIA

A série de debates dos presidenciáveis na TV - estão agendados cinco antes do primeiro turno, no dia 7 de outubro -, começa hoje (9), na TV Bandeirantes. O veículo tradicionalmente abre os encontros entre os presidenciáveis que, nesta edição terá a estreia de Jair Bolsonaro (PSL) e a ausência de um candidato do PT.

A expectativa é de que o clima de “mata-mata” já esteja presente entre os candidatos. Com uma campanha encurtada - serão 52 dias de propaganda eleitoral nas ruas e na internet e 35 dias de rádio e TV, os candidatos devem ser o mais direto possível na expectativa de seguir para o segundo turno.

No debate, estarão 8 de 13 escolhidos em convenções.Além de Bolsonaro, participam Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Alvaro Dias (Pode), Cabo Daciolo (Patri), Henrique Meirelles (MDB) e Guilherme Boulos (Psol).

Analistas políticos ouvidos pelo DCI apontam que a tendência de confronto entre os presidenciáveis nos debates de TV é reforçada pelo pouco tempo de campanha no horário eleitoral de rádio e TV, situação que se acentua pela disputa acirrada por eleitores de perfil semelhante.

“Com certeza vai ter xingamentos porque cada um vai ter que se posicionar para vender seu peixe”, prevê o professor Ricardo Caldas, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB). “A campanha começou em 2015 e agora, como no futebol, começa a fase do “mata-mata” por conta do pouco tempo de campanha”, compara.

Segundo Caldas, os debates são relevantes tanto para os candidatos quanto para os eleitores por oferecer espaço de exposição igual para todos os candidatos. “Os presidenciáveis têm que valorizar, aproveitar cada segundo porque é um espaço democrático em que todos os candidatos podem expor suas ideias com o mesmo espaço de tempo.”

Nos países que têm disputa eleitoral em dois turnos, inspirada na Constituição francesa, há duas dinâmicas em curso para tentar evitar a vitória de extremos à direita ou à esquerda. “No primeiro turno, há o marketing e o posicionamento e, no segundo a busca do centro, atrás de eleitores mais moderados”, detalhou Caldas. “O que não aparece no primeiro turno vai aparecer no segundo, em que o candidato vai ter que mostrar que tem capacidade de governar o país”, disse.

Para o analista político Alexandre Bandeira, diretor da Associação Brasileira de Consultores Políticos no Distrito Federal, o espaço de debate televisivo ganhará ainda mais importância no cenário eleitoral deste ano por causa do menor tempo de propaganda eleitoral na TV e no rádio. Para ele, o “palanque eletrônico” da televisão será o principal instrumento, dentro da grande mídia, para que se convença um eleitor que votará em um candidato da direita a votar em outro de esquerda.

“A diferenciação provavelmente será feita pela verve de cada candidato, visto que alguns temas, como a autonomia do Banco Central, não conseguem provocar essa distinção.” Além disso, precisarão se apresentar como novidade. “Isso deve compor a estratégia dos candidatos nos debates, se diferenciar e se mostrar como o novo, mesmo que não o sejam”, concluiu o cientista.

Sem PT

Há, porém, quem preveja que na ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva os debates serão “mornos”. “Rende mais mídia [para os candidatos] na rede social. O debate na TV é um evento que não alcança uma grande maioria da opinião pública, talvez sirva para quem já se decidiu”, avalia Adriano Oliveira, professor de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco.

Para ele, só com as inserções diárias ao longo da campanha, a agenda de propostas dos candidatos alcançara um expressivo contingente de eleitores. “A menos que haja uma tragédia, como uma declaração polêmica que possa ser explorada para tirar votos”. De resto, considera que os debates serão “mais do mesmo”.

 


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