PSDB quer abrir 7 milhões de votos de frente em SP

12/12/2017 15:12
Raymundo Costa: As combinações para Alckmin ganhar o centro
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PSDB quer abrir sete milhões de votos de frente em São Paulo
 
A bola está agora com Geraldo Alckmin. O primeiro desafio do governador é unir São Paulo numa chapa com potencial para lhe dar sete milhões de votos de vantagem sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já no primeiro turno. Se tiver sucesso, será mais fácil costurar o apoio de até dez partidos numa chapa com mais da metade do tempo de rádio e televisão, o que pode ser decisivo na campanha.
 
A conversa de São Paulo começa por José Serra e João Doria sobre o governo estadual. É preciso harmonizar os dois para o PSDB ter apenas um candidato. Nem Serra nem Doria reconhecem que aspiram a honraria, mas os dois têm o Palácio dos Bandeirantes em vista, na hipótese de Geraldo Alckmin ser o nome irreversível dos tucanos ao Planalto.
 
Hoje não há uma chapa capaz de unir São Paulo sem deixar insatisfeitos. O desafio é levar o PSDB a sair com só um candidato. Um dos cursos leva ao nome de José Serra para governador com Paulo Skaf (PMDB) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) como candidatos ao Senado. A atual senadora Marta Suplicy (PMDB) seria candidata a deputada federal. Falta combinar com os russos, como se diz, mas como indicativo de unidade seria a chapa dos sete milhões de votos de frente para Alckmin em São Paulo - é mais ou menos a diferença que Aécio teve sobre o PT em 2014.
 
Skaf, por enquanto, é candidato ao governo. Aloysio Nunes ainda não decidiu se permanece na chancelaria até o fim do governo, mas em geral costuma acertar em suas decisões. Em princípio, Marta é candidata à reeleição.
 
Está nas mãos de Alckmin aproximar ou distanciar o presidente Michel Temer. Para se aproximar e atrair o PMDB precisa ajudar o governo a chegar a bom termo. Como candidato do centro, Alckmin será o beneficiário do sucesso na economia, enquanto Lula é quem ganha se o governo for a pique. O Palácio do Planalto espera que Alckmin ajude na votação da reforma da Previdência.
 
Temer e auxiliares mais próximos como o ministro Moreira Franco (Secretaria Geral) insistem que o presidente não vai disputar a reeleição. O presidente diz que gostaria de ser lembrado como é Campos Salles (1898-1902), o presidente que fez o saneamento das contas de uma República recém-inaugurada e endividada. É uma questão de confiança.
 
O arco da composição passa pela indicação do candidato a vice-presidente da República, quadro que está inflacionado. Tem candidato para cada perfil que possa contribuir mais para a consolidação da aliança. Tradicionalmente, um candidato de São Paulo procura um candidato do Nordeste a vice. Serra, em 2002 e 2010, teve vices do Sudeste; Alckmin, em 2018, pode ter um mineiro - o senador Antonio Anastasia. São Paulo e Minas são os dois maiores colégios eleitorais do país.
 
A seção mineira do PSDB está sob ataque especulativo de outros partidos, devido à fragilização política do senador Aécio Neves. A escolha de Anastasia, se a opção for por um tucano para a vice, seria uma maneira de proteger as posições do partido em Minas.
 
Se o nome for do PMDB, o mais cotado é o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, reconhecido por ter acertado as contas públicas capixabas. Se for um nome do governo e do Nordeste, o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE) larga na frente. Sua escolha indicará que o Democratas desistiu da candidatura própria com a qual anda atualmente de caso. O prefeito de Salvador, ACM Neto, é uma opção, mas se não concorrer ao governo estadual, o mais provável é que continue governando os soteropolitanos.
 
Se a decisão for por uma mulher, hoje a senadora Ana Amélia (PP-RS) é praticamente pule de dez. Mas se a economia estiver bombando, não há muita dúvida: o ministro Henrique Meirelles (Fazenda).
 
Os nomes relacionados para a composição das chapas em São Paulo e no Brasil representam quatro dos maiores partidos brasileiros: PSDB, PMDB, DEM e PP. Alckmin já conta com o apoio do PTB e do PSD de Gilberto Kassab, apesar do histórico de desavenças entre os dois partidos. Outras siglas que orbitam do centro para a direita viriam por gravidade. A bola agora está com Alckmin.
 
Sedução
 
Provocado pelo ex-deputado Cícero Almeida (Sem Partido-AL), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está pronto para decidir se a verba do fundo partidário poderá ser ou não usada na campanha eleitoral.
 
A relatora é a ministra Rosa Weber, que presidirá o TSE nas eleições. A tendência do tribunal é dizer que, na campanha, pode ser usado apenas dinheiro do fundo eleitoral criado na reforma política, estimado em mais de R$ 2 bilhões.
 
Confirmada, a decisão será um golpe para os partidos menos orgânicos como o PR, que já haviam feito uma poupança do fundo partidário para financiar campanhas de deputados que pretendem atrair no troca-troca partidário de março.
 
O PSDB de Minas Gerais é um dos principais alvos do ataque especulativo com dinheiro do fundo partidário. A capacidade de sedução dos partidos intermediários é enorme. Os mais tradicionais como PMDB, PT e PSDB usam mais as verbas do fundo em atividades efetivamente partidárias.
 
Termômetro tucano
 
O novo secretário-geral do PSDB, Marcus Pestana (MG), acha que tanto Lula como Jair Bolsonaro e até Geraldo Alckmin poderiam se manifestar favoravelmente à proposta da Previdência, pois trata-se de uma reforma que terá de ser feita, seja quem for eleito presidente em 2018.
 
O próprio presidente Temer poderia articular a manifestação, algo parecido com o que fez Fernando Henrique Cardoso em 2002, quando chamou os candidatos ao Palácio do Planalto e pediu apoio ao acordo que estava negociando com o FMI. O país estava à porta da insolvência. O problema é que ainda não há candidatos oficiais.
 
Pestana já esteve mais pessimistas em relação ao apoio do PSDB à reforma. Falava em 18 votos em 46. Agora, depois do pronunciamento favorável de Alckmin e da mudança na coordenação política do governo, acha que o número pode chegar a 35 deputados.
 

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