Rosângela Bittar: O fruto proibido

15/08/2018 14:58

Rosângela Bittar: O fruto proibido

 Valor Econômico

Alguém ainda vai errar feio para surgir uma solução

Sem enganos: a campanha eleitoral só começou para o PT, ninguém mais. É o único partido que formulou uma estratégia, forçou seu líder e candidato preso a se fazer de vítima para construir uma bancada, sem o que não elegeria nem a metade dos deputados que tem hoje, armou para a dança das cadeiras ocorrer caso a chapa a ser registrada hoje seja impugnada e estica a corda para ter a foto proibida na urna, criando o fato consumado de votação de 30% que o prisioneiro registra nas pesquisas eleitorais e uma instabilidade jurídica amazônica.

Não diz qual seu projeto de país, mas isso ninguém diz porque ninguém sabe. Porém, até nisso saiu na frente: o candidato a vice que se empurra goela abaixo dos adversários querendo, inclusive, ir a debates, anunciou em Brasília uma reforma do sistema bancário, a providência mais objetiva até agora anunciada pela esquerda.

Essa situação é a típica consequência da política mambembe que se pratica no Brasil. Até o barulho está mais alto na campanha do PT e do que ele quer impor ao país. Brasília já parou desde ontem para deixar passar as colunas de manifestantes que estão vindo de diferentes pontos do país com o objetivo de pressionar a Justiça a reconhecer a candidatura ilegal.

As ameaças que percorrem as redes são de quebra-quebra e incêndio, porém não devem pegar as autoridades desprevenidas como de outras vezes. Ou não, a ver o que acontecerá hoje.

Há uma unanimidade na avaliação sobre o acerto dessa campanha, nada deu errado até agora para o PT. Um dos seus maiores êxitos foi conseguir, por incompetência das autoridades da diplomacia e dos partidos, colar às eleições brasileiras a ideia do golpe de Estado na visão do exterior, a campanha do Lula Livre. O Itamaraty não conseguiu debelar a má fé. Até funcionários da diplomacia, os que lotam as 100 inúteis novas embaixadas criadas pelo PT no governo Lula, estão engajados na campanha do golpe. Que só cresce: ontem, ainda, Adolfo Perez Esquivel, prêmio Nobel da Paz, foi à presidente do STF, Carmen Lúcia, pedir clemência para Lula. O tratamento é de preso político.

A mídia no exterior, os governos, ouvem seus representantes no Brasil mas ouvem também, e muito mais, as embaixadas. Se estão na campanha Lula Livre, e a eleição é golpe, por que irão duvidar? Com sua desinformação habitual o impeachment foi golpe e assim ficou.

As representações diplomáticas fazem seus relatórios com base nesse equívoco de desinformação mas sem nenhuma inocuidade, funciona perfeitamente para os objetivos da campanha do PT.

Assim, a campanha que existe é a do PT e a Justiça Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal são coniventes se, ao final, houver uma explosão de frustrações ou aberrações legais. Deixaram as coisas chegarem a este ponto sem volta. Ou deixaram, ou quiseram.

Se Lula estiver na urna, seja por qual modalidade - registro de candidatura, candidatura sub-judice, candidatura a vice, cabo eleitoral, ou porque não pode mais tirar, o Brasil não é país, disse esta semana um perplexo analista da situação. E os tribunais terão desmoralizado a política brasileira definitivamente, e mais uma vez.

Nada de novo com as demais campanhas, que sequer existem, não têm uma estratégia conhecida, não sabem o que querem e para onde vão. Quem sabe dentro de duas semanas, com o início da propaganda na TV? Geraldo Alckmin deve crescer, porque tem o mais longo tempo de exposição; Fernando Haddad deve crescer, porque aparecerá como candidato de Lula. É o óbvio que se espera.

Não há informação sobre planos completos de um governo que pede seu voto. Ao contrário, só se sabe o que não farão os candidatos: vão acabar com o teto de gastos, com a reforma da previdência, revogarão a reforma trabalhista; revogarão o acordo da Embraer com a Boeing. Estão fazendo campanha contra o governo Temer, não a favor do seu governo. A destruição está pronta, a construção não existe.

E como são muitos os debates, as entrevistas, as conferências para entidades de classe, o chute é o instrumento de trabalho. Um vai acabar com o SPC, perdoando dívidas de milhões de inadimplentes. Outro vai castrar, sim, com arma química, mas castrar, ameaça feita aos homens diante de passivos democratas sem reação. Outro faz fotoshop na foto oficial para ludibriar o eleitorado. Campanhas cafonas.

A falta de projeto para essas candidaturas está produzindo um triste espetáculo, mais um no preâmbulo do circo que se instalará na TV.

Qualquer impasse nessas eleições, principalmente se for grave, o responsável está aí: a Justiça. Os ministros do TSE foram omissos, os do Supremo também. Preocupados em falar fora dos autos, fazer palestras, se exibirem país afora, estão mais candidatos que os candidatos. E têm plataforma.

Hoje é o juízo final, o dia do registro da candidatura do PT, coroando sua exitosa campanha até aqui. Dia da batalha anunciada. Nos demais fronts nada acontece, mas alguém vai errar. Aí as coisas se definem.

Lula

O ex-presidente Lula até aceitava a proposta do seu advogado de defesa, Sepúlveda Pertence, de partir para soluções menos radicais e topar a prisão domiciliar. Prevaleceu a vontade da presidente do partido, Gleisi Hoffman, que alegou exigência dos candidatos a deputado, que precisavam de Lula preso e vitimizado, sem o que a bancada seria dizimada.

Dilma

A ex-presidente Dilma Rousseff, é o que se diz na oposição, nunca será senadora por Minas Gerais. É candidata ao Senado na chapa do candidato à reeleição Fernando Pimentel (PT). Mas dificilmente, se vier a ser eleita, terá sua vitória creditada à representação genuina de Minas. Dilma será senadora de Ricardo Lewandovsky, o ministro do Supremo Tribunal que presidiu o processo de impeachment e encontrou o jeitinho de contornar a Constituição, fatiando a penalidade para manter os direitos políticos da ex-presidente.

 


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