Tucano quer Ilan Goldfajn no Banco Central

17/04/2018 07:43
Jair Bolsonaro é passaporte para volta do PT, diz Geraldo Alckmin
Tucano quer Ilan Goldfajn no Banco Central Foi convidado do Poder360-Ideias
 
Se PT unir esquerda, pode estar no 2º turno
 
MATEUS NETZEL, PALOMA RODRIGUES e NAOMI MATSUI 
 
O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que os votos em Jair Bolsonaro “são passaporte para a volta do PT“, em referência a uma eventual disputa entre os 2 grupos no 2º turno. O pré-candidato acredita que a esquerda tem chance de passar do 1º turno caso o PT consiga concentrar as forças do seu campo político.
 
“Se o PT concentrar a esquerda para valer, pode estar no 2º turno“, disse o tucano. “O candidato do PT vai ter 2% dos votos? Impossível. Não vai ser assim“, declarou o tucano numa referência à pontuação que os possíveis substitutos de Lula têm registrado em pesquisas eleitorais.
 
Alckmin diz que estará entre as duas chapas de uma eventual disputa, mas não quis indicar quem ele acredita que será seu adversário.
O ex-governador de São Paulo participou da 9ª edição do jantar do Poder360-Ideias nesta 2ª feira (16.abr.2018), divisão de eventos do Poder360. Chegou com cerca de uma hora de atraso ao restaurante Piantella, na zona central de Brasília, acompanhado do coordenador econômico de sua campanha, Pérsio Arida.
 
O motivo do atraso foi uma demora do senador Tasso Jereissati (CE) em São Paulo. Tasso convidou o pré-candidato para uma carona em seu jatinho, mas atrasou-se em uma consulta no oftalmologista. Segundo Alckmin, o avião deveria ter saído de São Paulo por volta das 17h, mas o senador cearense só chegou às 19h ao aeroporto.
 
“A única forma de Tasso compensar o atraso é aceitar se candidatar ao governo do Ceará“, disse Alckmin. O paulista insiste na candidatura do coordenador político de sua campanha presidencial. O Ceará é 1 palanque estratégico para o tucano no Nordeste. Mas Tasso vem se esquivando. Diz que sua mulher não aprova a ideia.
 
Para a hipótese de ser eleito presidente da República, Alckmin afirmou que pretende enviar nos primeiros dias de seu mandato propostas de 4 reformas estruturantes ao Congresso: da Previdência, política, tributária e do Estado. O desejo é aprovar as 4 no 1º ano de governo. “Nos primeiros meses a força política é muito grande. A eleição traz muita legitimidade, quem for eleito vai ter quase 60 milhões de votos“, disse.
 
O ex-governador indicou que manteria Ilan Goldfajn no comando do Banco Central, com Pérsio Arida no Ministério da Fazenda.
 
EQUIPE E POLÍTICA ECONÔMICA
 
Alckmin manifestou o desejo de, caso seja eleito, manter o atual presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, no posto. Julga-o 1 bom presidente para a instituição. Seu ministro da Fazenda seria, naturalmente o coordenador econômico de sua campanha, Pérsio Arida –escolha considerada hors concours.
 
O ex-governador e Arida apresentaram alguns dos pontos que norteariam a política econômica do eventual governo. Alckmin se concentrou no discurso de manutenção dos juros baixos e transmissão dessas alíquotas reduzidas ao consumidor para baratear o crédito. Uma das formas de alcançar essa meta seria reduzir a concentração no sistema bancário. “O caminho hoje não é mais só fortalecer o sistema financeiro, mas aumentar a competição“.
 
Pérsio Arida mencionou reformas menores que auxiliariam na condução da política econômica. Disse que a independência do Banco Central é importante, mas não é 1 projeto prioritário no início do eventual mandato. “É bom ter BC independente, mas vale a pena gastar o capital político escasso com isso?“, disse.
 
Uma das medidas que seriam sugeridas seria o de implementar mandatos alternados do presidente do Banco Central em relação à eleições do Poder Executivo, para evitar que o jogo político tivesse tanta influência na condução das políticas monetárias.
 
REFORMAS E PRIVATIZAÇÕES
 
O tucano citou 4 reformas prioritárias para seu governo: previdenciária, tributária, política e do Estado. Afirmou que enviará os projetos ao Congresso nos primeiros dias de seu mandato e tentará aprová-las logo no 1º ano. Questionado sobre a dificuldade de se conseguir aprovar 4 reformas amplas em 1 espaço tão curto de tempo, disse: “Tem que dar [para aprovar em 1 ano].Nos primeiros meses a força política é muito grande. A eleição traz muita legitimidade, quem for eleito vai ter quase 60 milhões de votos“, disse.
 
No campo da reforma da Previdência, defendeu o fim da separação dos regimes para trabalhadores da iniciativa privada e para os servidores públicos.
 
Na área dos tributos, declarou-se favorável a uma proposta do economista Bernardo Appy de reunir 5 impostos e contribuições que existem em uma única taxa, o Imposto de Valor Agregado. A medida reduziria a burocracia e reduziria os encargos proporcionais sobre os mais pobres.
 
Para a reforma política, reforçou a importância de regras aprovadas em 2016, como o fim das coligações em eleições proporcionais e a criação de uma cláusula de desempenho. Defendeu a mudança do sistema proporcional para eleições legislativas para 1 distrital. “Sou a favor do distrital puro, mas acho que 1 sistema distrital misto já seria 1 grande avanço”.
 
Sua proposta de reforma do Estado inclui eixos como a desregulamentação, a desburocratização, a simplificação e o fomento do chamado “governo digital”. Alckmin reafirmou a intenção de privatizar ⅓ das estatais e de expandir o modelo de gestão por PPPs (parcerias público-privadas).
 
PESQUISA DATAFOLHA
 
O ex-governador de São Paulo comentou o resultado ruim na pesquisa Datafolha divulgada no domingo (15.abr), em que registrou de 6% a 8% dependendo do cenário.
 
Afirmou que as pesquisas de intenção de voto só ganham valor no final da campanha. O levantamento feito em abril “está correto do ponto de vista estatístico, mas não tem valor político“, disse.
 
Para ilustrar seu argumento, o tucano usou as marcas registradas pelos possíveis candidatos do PT caso Lula seja impedido de concorrer. Jaques Wagner e Fernando Haddad não passam de 2% das intenções de voto. “(A pesquisa) diz que os candidatos do PT têm de 1 a 2%. Alguém acredita nisso? Não existe.”
 
JOAQUIM BARBOSA
 
O ex-ministro do Supremo filiou-se ao PSB na semana passada depois de 1 longo período de indefinição. Sem ter confirmado que será candidato ainda, já aparece à frente do tucano em alguns cenários testados pelo Datafolha.
 
Para Alckmin, o resultado não foi surpreendente. “Tenho admiração pelo ministro. Acho que grande parte dos brasileiros têm“, disse. “Não me surpreendi [com o resultado das pesquisas que indicam Barbosa na frente de Alckmin], porque nesse momento conta mais o nível de conhecimento das pessoas, nomes que tiveram grande presença na mídia“, disse.
 
ALVARO DIAS
 
A discussão de uma aliança dos pré-candidatos do PSDB e do Podemos foi empurrada para uma data mais próxima das eleições. O senador paranaense foi filiado por décadas ao PSDB antes de migrar para o PV e, então, para o Podemos. Com ideias semelhantes às de Alckmin, poderia “roubar” votos importantes do tucano na região Sul ou ajudar a fortalecer a candidatura caso aceitasse uma aliança.
 
Segundo o ex-governador de São Paulo, ainda é muito cedo para discutir o assunto. “Ninguém que não vai ser candidato vai decidir em abril (…) Se dependesse de mim, ele não teria nem saído do PSDB. Mas não posso cometer essa indelicadeza agora, respeitamos os concorrentes. Essas conversas serão mais para frente“, disse.
 
ALIANÇAS E PALANQUES
 
Atrás nas pesquisas, mas ainda com tempo para negociar apoios até o início oficial da campanha, Alckmin pretende se concentrar na articulação de alianças nas próximas semanas. “Até julho é difícil. Tem Copa do Mundo, uma fragmentação partidária. O tempo de televisão pesa. Estamos trabalhando para ter alianças e palanques. Vamos ter os melhores palanques do Brasil.”
 
O tucano já definiu sua estratégia de início de campanha. Dividirá seu tempo entre Brasília e a formação de palanques estaduais.
 
Nas últimas semanas já está em contato com algumas legendas. “Estamos conversando com PPS para fazer uma discussão programática, e também com o PV. Com o DEM temos uma aliança histórica, mas eles têm candidato, o Rodrigo Maia. Nós respeitamos“, disse.
 
PRISÃO EM 2ª INSTÂNCIA
Alckmin se declarou a favor da prisão em 2ª instância. “Se você não tem decisão de 2ª Instância cumprida, os tribunais viraram ritos de passagem. Em princípio, deve valer a 2ª Instância“, disse.
 
O tucano defendeu a reforma do Judiciário, se dizendo a favor das juntas de conciliação, para reduzir a judicialização. Para isso, enviaria 1 projeto de lei para o Congresso.
 
INTERVENÇÃO FEDERAL NO RIO
 
Na 8ª edição do jantar do Poder360-ideias, em março, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que o fim da intervenção federal no Rio deveria ser negociada entre o novo presidente da República e o novo governador do Estado.
 
Alckmin diz que seria “razoável” negociar 1 período de transição para a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, mas defendeu que as operações no Estados sejam temporárias. “A intervenção tem que ser transitória. Mas seria mais do que razoável negociar uma transição“.
 
Anunciada em fevereiro, a intervenção termina em 31 de dezembro. Uma prorrogação teria que ser acordada entre o governador do Rio e o presidente da República eleitos.
 
AÉCIO NEVES
 
Nesta 3ª feira (17.abr), a 1ª Turma do STF decide se torna o senador Aécio Neves (PSDB-MG) réu por obstrução à Justiça e corrupção passiva em processo relativo ao FriboiGate. Alckmin, que também é presidente do PSDB disse que o partido já tomou as providências que devia sobre o caso:
 
“O PSDB fez o que tinha que fazer: trocou o presidente, marcou novas eleições e trocou toda a direção do partido. Ele vai ter que aguardar o julgamento. Claro que adversário explora, mas não não é 1 fato [que vai atrapalhar a campanha]“, disse.
 
 

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